Assim devia ser a viagem?
Quero servir-me deste blog para aprender português e divertir-me enquanto recordo alguns velhos quadrinhos espanhois (algum atual). Seguramente logo de mil anos eu rirei com todos os absurdos gramaticais e erros ortográficos... "Terei um montão de post por corrigir!"
Perdoem os erros gramaticais, qualquer indecisão ortográfica, e assinalem essas faltas se dispusserem de tempo, obrigado!

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

O filho mediador de David Rubín


Título: El Héroe (volume 1).
Roteiro e desenhos: David Rubín.
Editorial: Astiberri, coleção Sillón Orejero.
Data de publicação: abril de 2011.

[Livro colorido com capa cartonada e lombada colada e costurada, 17x24, 280 páginas. (Com o apoio de Roque Romero e Bernal Prieto na separação de cor dos capítulos 2, 5 e 9, do livro.) Prólogo do desenhista Paco Roca, e uma nota biográfica de David Rubín.]

As histórias aos quadradinhos são uma instituição ritual. Qualquer leitor desavisado, fã colecionador de tebeos/gibis, perguntou para eles o porquê dessa misteriosa questão. Mas às vezes essas coissas de papel não respondem, incomum para a época, já tenho visto um refrigerador conversar com um homem, e, então, impõe-se ficar com a roupa do autor desse quadrinho nas mãos. Ele tem as respostas!? Agite o quadrinista antes de usar.
Sei que é frequente um desenhista estar disposto a reconstruir un mito, mas parece-me difícil de acreditar que David Rubín só cobice reconta-lo. Eis algo evidente, atualmente este autor poderia ser conhecido como o maior contador de contos dos quadrinhos espanhóis; enquanto já explorou a produção de obras unitárias de longa ou média extensão, ainda que privilegiou a encenação metafórica de aspectos ignorados (o ton das histórias) em todas elas. Um atalho atraente que culminou com Cuaderno de tormentas, marcha progressiva de instantes psíquicos dum autor-protagonista vencido pela potencialidade antagónica de suas própias criações. Desafio aos leitores fieis, que nem tudos superariam.Há apenas uma coisa que voçê deve se precaver o mercar uma BD deste desenhista espanhol: gosta de contos e mitos?
Talvez voçê não errou na hora de mercar El Héroe, alem disso, atopou um tebeo muito raro... "Hércules virou superherói mangá!"


Vitoria por acumulação iconográficaJá percebi que os dias chuvosos é placenteiro voltar a ler esta primorosa HQ. Na que torna-se apreciável a análise (consciente ou inconscientemente) do herói solar, pois, mais além da infelicidade doutras revisões intelectuais, cruamente estúpidas e vacias, o quadrinista espanhol reconta um mito ao que agrega o símbolo iconográfico do superherói. É por isso que os Doze trabalhos de Hércules aparecem ligados sentimentalmente por episodios sexuais de amadurecemento mediante os que a façanha torna-se mais importante do que os aspectos da submissão ao destino doutras maldosas traduções deste mito. "Está batendo à porta o Gilgamesh de Jim Starlin!"
Acção é acção. O exercício da acção violenta e a execução da façanha são o mais importante. Ainda que somentes as margens da narração coloram a linha entre o bem e o mal até satisfaze-la sua faminta e cortante singularidade. O relatório sexual de Hércules. Euristeo. Hera. Os escasos aliados e amigos. O bem e o mal.
Mas isso já foi visto noutras HQs. O projeto autoral de acumulação iconográfica surge do pessoal desciframento do mito do herói solar, no que, por exemplo, David Rubín troca o facho purificador que impedia a regeneração das cabeçãs da Hidra de Lerma por um bombardeio aéreo seletivo sob espectativa delirante de que seu herói pop posui, como equivalente para o bronce grego, uma catana. Estes detalhes acumulativos entretecerão uma imaginativa controvérsia, pois neste mito recontado cresce o antagonismo entre um icono verdadeiro e o ídolo ou fetiche publicitario; no deciframento deste mundo arcaico e futurista deparamos com revistas, gelados, comicbooks e produtos utilitarios, o merchadising de Hércules, uma acumulação iconográfica polêmica. Mas também mediadora. Algo que se manifesta ambiguo durante as primeiras aventuras, até intercalar um debate radiofónico na sede central de Radio Oráculo, em Atenas, onde o velho mestre de Hércules, Quíron, defende ao herói contra a banalização de sua gesta. Um debate titulado 'Heracles: Herói ou produto' que Hércules esta a escutar (co seu iPod!) nos currais do rei Aúgias.
Mas o leitor imposível deste texto improvável pode desejar mais do que soube explicar. Eu não encontrei imagens esclarecedoras. Só roubei uma página misteriosa, veja a imagem acima a dereita, um enigma antes do prólogo, trata-se de David Rubín?
Ele foi um leitor ritualista e atualmente um autor platónico de historietas. No final deste primer livro Hércules ve-se asediado por um bonifrate muito odioso para Alejandro Jodorowsky. Eu não revelarei sua linagem porque gostaria de ver este tebeo nas mãos dos leitores portugueses e brasileiros. O leitor verá a Diana. Desfrutará dos bonecos do Quarto Mundo. Poderá apreciarem entre outros recursos clásicos da banda desenhada uma espectaculosa transição simbólica da cauda duma estrela até o cordão umbilical dum herói. Corpos de serpes, as cabeças da Hidra e os cabelos espinhosos como veias ou raízes sanguentas de Hera, e a intimidade amorosa do laço.
"E um pássaro de Alberto Vázquez e um homemtouro de Santiago Sequeiros? "

Tebeosfera. Revista web sobre historieta nº 7




Hijos de la democracia
Neste número a revista Tebeosfera oferece para o leitor estrangeiro uma interessantíssima expossição de artefactos (tebeos) e maravilhas (artigos, resenhas e entrevistas), um mostruário de prodigiosos jovens desenhistas, roteiristas e humoristas gráficos espanhóis. Um espelho como os dos mitos e as tradições folclóricas onde este leitor espanhol achou ele mesmo, muito juvenil. Muito monstruoso e cheio de possivilidades. "Possivilidades democráticas!?"Pão ou não pão: that is the question. Ou o que fosse. 84 Textos coordinados pelo divulgador e teórico Félix López sobre autores nados depois do 20 de novembro 1975, data oficial da morte do desmoralizador nacional Francisco Franco Bahamonde ('el feo de las pesetas' caricaturado por Belmonte). Desenhistas como David Rubín entrevistados mediante um modelo exigente, mas flexível, que permite extraírem conclusões para os leitores portugueses e brasileiros comprender o mercado espanhol e seus autores.
[link]--> Sumário[]--> Um espíritu libre. Entrevista a David Rubín.
[]--> Ficha de David Rubín no Gran Catálogo de la historieta