Assim devia ser a viagem?
Quero servir-me deste blog para aprender português e divertir-me enquanto recordo alguns velhos quadrinhos espanhois (algum atual). Seguramente logo de mil anos eu rirei com todos os absurdos gramaticais e erros ortográficos... "Terei um montão de post por corrigir!"
Perdoem os erros gramaticais, qualquer indecisão ortográfica, e assinalem essas faltas se dispusserem de tempo, obrigado!

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Vlad Dalilea. By Paco Roca

Título: El juego lúgubre.
Roteiro e desenhos: Paco Roca.

Editorial: La Cúpula, coleção Brut Comix.
Data de publicação: maio de 2001.

[Comicbook (24x17, capa colorida, 66 páginas), preto e branco. O quadrinista preparou vários textos e desenhos, com um estilo diferente, no princípio e ao final da história para conquistar a sensação de realidade dos feitos históricos, e talvez assemelhar-se a novela epistolar que adapta.]

Uma BD para quem gosta das criaturas da escuridão mas tambem para os que foram manchados pelos laivos tenuíssimos dos tebeos... "e a arte surrealista de Salvador Dalí!" Um artista satirizado por Pétillon em L'Écho dês Savanes, que provavelmente foi utilizado como personagem ou referente para outros quadrinhos, como as capas de Wolverine Art Apreciation Month da Marvel, mas nunca virou vampiro de Banda desenhada. Descendente direito do Conde Drácula.
Se o romance de Bram Stoker fosse invadido por seu inconsciente, e se os livros tivessem consciência, provavelmente escolheria ser contaminada pelo surrealismo. Duas matérias innobles para a televisão, as histórias em quadrinhos e o surrealismo misturam-se nesta obra publicada pela Ediciones La Cúpula numa edição popular (coleção Brut Comix). Depois do sucesso de Arrugas, obra pela que seu autor receberia o Premio Nacional del Cómic, Dolmen Editorial publicaria no 2007 a edição colorida já antes publicada noutros países europeus.
Atualmente Paco Roca é um hot artist espanhol, isto quer dizer (eu creio) que publica em França e, depois, suas obras são publicadas na Espanha como os álbums e séries de tantos outros desenhistas de hoje e de ontem. El juego lúgubre trata-se duma obra ambivalente, é o diabo. Nós os leitores, o autor e o protagonista desta BD somos a trindade cristã que o combatemos, pois esta obra, este diabo, concilia um jogo dual sobre a criação dentro da criação no sentido en que ilustra um dos temas imaginários mais significativos para Salvador Dalí, a ingestão, o engolimiento ou o continente contido segundo o analisaram os estudiosos da imagem e a imaginação, no que se encontram a arte, o terror e a História. Não por acaso Paco Roca escolheu o título duma pintura em concreto e, ademais, a ilustração da capa utiliza uma cabeça vazia. Ese jogo o que permite é a abordagem simultânea dum período histórico e da origem sinistra (demoníaca), de espanto sagrado, que produz a criação artística.

Recordando o romance epistolar de Bram Stoker o quadrinista espanhol começa definindo antecipadamente um clima de realidade terrorífica ao relatar o achado do livro que lhe levou a realizar esta história em quadrinhos. Um facsímil titulado igual que a pintura dum famoso artista no que seu autor, chamado Jonás Arquero, conta suas vivências como secretário de Salvador Deseo durante o verão de 1936. Muito poucos dias antes do começo da Guerra civil espanhola.
O leitor engenhoso ad¡vinhou a similitude entre os nomes dos protagonistas desta história de Paco Roca e o romance do escritor irlandês, inclusive, a evocação engolidora dum nome tão bíblico como Jonás. Não é mais uma das semelhançãs. Em verdade, El juego lúgubre poderia ser considerada uma adaptação de Drácula. Em minha opinião a melhor adaptação para os quadrinhos ou qualquer outra mídia.
Jonás Arquero narra o sonho recorrente que lhe persegue desde sua estadia junto a Salvador Deseo num pequeno povo costeiro. O pior dos pesadelos. Nos tempos da sua juventude, ele coincidiu em Madri com o poeta García Lorca quando este tinha decidido regressar a Granada e por cuja ajuda também Jonás conseguirá retirar-se da violenta capital espanhola com um trabalho como secretário dum pintor em Cadaqués. Ainda que ao primeiro a figura do artista lhe parece estimulante, a hostilidade das gentes do povo e a experiência direta com este génio em sua "cueva del DRAGÓN" abrirão para Jonás o umbral dos conflitos entre os valores e sentidos do inconsciente e o consciente. Terror que só uma moça, Roser, com um pai despótico e a vontade de fugir da lentidão do povo parece aquietar.
O encontro de Paco Roca e Bram Stoker rende uma história magnífica. Uma HQ onde a figura do aristocrático vampiro substitue-se pelo artista surrealista e a dimensão social que enfrentava à nobreza tradicional, o antigo mundo agrário, com a burguesia industrial no romance gótico trasnsforma-se no anúncio do conflito bélico da Guerra civil espanhola.
Assim mesmo esta adaptação possui um caráter especial, já que ao substituir a carga mítica de libertação sexual feminina própria do vampirismo por um maior protagonismo do pintor vampiro Salvador Deseo a obra resulta um museu. Um país da arte invadida de referências à obra literária de Dalí, suas opiniões, suas pinturas e os objetos mais estranhos. Bem como o ambiente de seu lar e a natureza da que extraía sua inspiração.

El juego lúgubre
(Dalí) [link]--> dalinocheers.blogspot.com

Universo HQ []--> Arrugas
Ficção HQ []--> Metáfora espanhola
As leituras do Pedro []--> Las calles de arena e Arrugas




Título: Gog.
Roteiro: Juan Miguel Aguilera.
Desenhos: Paco Roca.

Editorial: La Cúpula, coleção Fuera de serie.
Data de publicação: 2000.


[Comicbook (25x17, capa colorida, 50 páginas), preto e branco. Prólogo de Félix Sabaté, e esboços.]

Na encrucilhada entre a ciencia ficção e a religião o país da infância pode-se transformar num pesadelo assasino. Quândo ademais essa potência da infância se volta incontrolável a capacidade decisória do indivíduo está em perigo de cair sob a pseudoeterna crença na realidade absoluta de seu própio mundo interior. Un mundo pessoal em fermentação, dirigido desde o exterior numa superfície ignorada onde o indivíduo cedeu suas funções cerebrais. Um mundo de sonhos automatizados.
O apresentador deste espectáculo quadrinístico é [The Hype BR]--> Max Headroom
, com um parte informativo sobre o estado atual do planeta que realmente parece um anúncio publicitário. Tal vez seja pela falta de empatía da mensagem.
Um coelho tira um relógio do bolso de seu colete e corre apressando-se
enquanto
uma menina vai atrás dele. Desactivado e indisponível automaticamente o leitor lembra esta cena clásica ainda que não a tenha lido. No entanto a protagonista da história nem sequer é uma menina, ainda que ela cria chamar-se Alicia. Alicia Pleasance Lidell. Miss Pleasence, Alicia a do País das Maravilhas, personagem inocente do conto de Lewis Carroll que o leitor indisponível não confundiu. Suas formas são as duma mulher pronta para descobrir o mundo. A dupla natureza desse mundo, ou a sua multiciplidade.
Uma leitura bem emocionante passada para fora das mentes de Paco Roca e o grande escritor de ciencia ficção Juan Miguel Aguilera. Sendo a continuação duma série publicada na revista em quadrinhos El Víbora protagonizada pela mesma personagem que Gog, mas com um estilo e uma estrutura pela que também não se precisa conhecer aquela trama. Ainda que, num alarde de heroísmo, os autores fizessem coincidir o começo desta última obra com o final daquela série titulada Road Cartoons.
Depois de recordar seu autêntico nome, Tweety começa a aventura platónica que a levará a descobrir uma trama informática de universos virtuais da que poderia dizer-se, para não desvelar todo o mistério desta história, e recordando a Carl Jung, prioriza-se o horizontal sobre o vertical. Uma cita estranha só pra não citar a Jeffrey Burton Russell, já que num catálogo dá Banda desenhada religiosa espanhola Gog ganharia um número importante de páginas. Na medida em que se fundem uma escatologia virtual muito próxima ao filme Matrix e a concepção do lado escuro de Deus. Outra vez o espírito das tebras acossando a Paco Roca! Nesta ocasião um demônio sob forma de vírus informático. Efetivamente, todos os coelhos olham ao Céu.
Depois de converter-se este desenhista num hot artist espanhol é possível que esta BD seja reeditada por alguma editorial, em tais condições, preferi ser alusivo para não estragar sua leitura a aqueles leitores de tebeos do futuro. Contra esta última posição, ainda tentarei escrever umas notas sobre a série Road Cartoons .

Road Cartoons
Homens nus, mulheres nuas, sexo, morte e diversão, um meio diferente o que percorreu Tweety nesta aventura, mas cujo desenlace expunha parte dos argumentos que deram existência a Gog. Com a particularidade de seu aspecto gráfico, colorido, 3D, e ter sido uma das escassas HQs de ciência ficção publicadas na revista El Víbora, principiando no número duplo Extra de Verano 221/222 até seu rem
ate no número 226 (1998).



Nesta história os autores distorcem o universo de Wile E. Coyote and the Road Runner mudando estes personagens por seres humanos. Homens e mulheres com capacidade de voltar à vida depois de morrer ou ser assassinados, uma situação comum, como nos filmes de animação da tevê voltados para a realidade. Mas uma realidade baseada nas impulsões instintivas (o sexo, a violência, a morte) em cujo espaço uma personalidade excepcional como a contrabandista Tweety tropeça com a inércia dessa repetição característica das velhas teleseries de animação e, disconforme com a uniformización geral das usanças, empreenderá uma busca que a desvincule desse jogo.
Essa necessidade de livrar-se duma situação inferior conduzirá à protagonista à realização dum trajeto de fugida horizontal ao que se somarão um grupo de aliados, entre eles um homem-coelho, Marzo, uma tentativa destinada ao fracasso no remate da série. Cum simulacro de vôo no que este grupo de assalto atravessa sobre o esqueleto dum avião ferrugento supendido por cabos de aço uma galeria industrial infectada de anjos eletrônicos demoníacos. No fim, Tweety alcança a ver a Caverna.
Platón teria chorado. Mas quiçá Plotino divertiria-se lendo esta história em quadrinhos. Ou os teosófos mais brutos, os crocodilos voadores neoplatónicos de Saturno, as... REEDIÇÃO (por favor)!

Paco Roca em []--> Imakinarium