Assim devia ser a viagem?
Quero servir-me deste blog para aprender português e divertir-me enquanto recordo alguns velhos quadrinhos espanhois (algum atual). Seguramente logo de mil anos eu rirei com todos os absurdos gramaticais e erros ortográficos... "Terei um montão de post por corrigir!"
Perdoem os erros gramaticais, qualquer indecisão ortográfica, e assinalem essas faltas se dispusserem de tempo, obrigado!

sábado, 15 de janeiro de 2011

Revista institucional de Banda Desenhada foi censurada (1999).

Título: Elipse Revista galega de banda deseñada.
Quadrinistas: Dudi, Miguelanxo Prado, Fran Bueno, , Kiko Da Silva.

Roteiristas: Carlos Portela.

Desenhistas:
Fernando Iglesias.
Ilustradores: Cristo Aleister, Miguelanxo Prado.
Critico: Agustín Fernández Paz.
Editora: Xunta de Galicia (Dirección Xeral de Política Lingüística da Consellería de Educación e Ordenación Universitaria).

Data de publicación: outubro de 1998.


[Revista com brochura, cosida e encolada, capa mole (24x17), 66 páginas. Ilustração da capa de Miguelanxo Prado. Periodicidade
semestral. Prólogo do Conselleiro de Educacación e Ordenación Universitaria do 1998 Celso Currás. E "Adro" texto editorial introdutório.]

A revista em quadrinhos mais importante publicada na Galiza pelo seu poder de impato e pelos distintos fatores de motivação para expor os autores suas obras nesta publicação. Elipse, o ponto mítico na criação da Banda Desenhada galega, cujo segundo número não chegou a ser posto à venda, ainda que ja todos seus contidos estavam producidos e preparados. O que aconteceu? Eu vou soletrá-lo, CEN-SU-RA.
Haverá que advertir que evidentemente jamais eu consegui averiguar a natureza dessa desgraça nem os fatos exatos para o cancelamento da revista. Se fosse por suposto envolvimento sexual dalguma das histórias em quadrinhos a notícia teria sido divulgada com grande energia nos meios de comunicação públicos, os meios da Xunta de Galicia. Pois a Consellería de Educación e Ordenación Universitaria do goberno autonómico galego era quem acollera o proxecto através da Dirección Xeral de Política Lingüística. Um orgão mecánico e mineral de enorme sensibilidade.

- Hipótese , algum dos autores tentou publicar sua historieta em galego-portugués?
- Por simple eficiência energética, a hipótese parece improvável. "E LOGO NÃO?"

Eu creio que foi um caso de censura política. Só há que ler o texto escrito pelo conselleiro de educação daquele ano 1998 e contrastá-lo com a declaração de intenções artísticas do texto editorial.
Celso Currás escreve "A atracción que un medio coma o cómic exerce entre a mocidade é un feito doadamente constatable [...] Esta atracción que exerce sobre a mocidade, unida ó interese que ofrece a análise da súa linguaxe, ten levado a que um amplo sector do profesorado utilice o cómic como uma ferramenta didáctica nas súas aulas. Por outra banda, a lectura en galego está revelándose como un eficaz axente normalizador entre a mocidade. Cumpría, por tanto, que os nosos rapaces e rapazas tamén puidesen ler na nosa lingua unha publicación centrada nun medio coma o cómic, que ofrece tantas posibilidades creativas."
Fragmentos do texto editorial titulado Adro:
"Presentamos hoxe Elipse, unha publicación semestral adicada a uma linguaxe [...] Elipse quere servir de canle para publicar un tipo de banda deseñada dificilmente editable en soportes comerciais. Unha banda deseñada de autor, que amose a parte máis comprometida e cobizosa, formal e conceptualmente, da producción galega neste eido. Queremos manter o equilibrio -de intensidade e de calidade- entre a compoñente gráfica e textual, e, no binomio expresión-comunicación, salientar a primeira, pero sen menospreciar ou, moito menos, anular a segunda.
É, pois, un espacio reducido -e, se cadra, arbitrario- que non quere nin podería ser reflexo nin vía de promoción da xeralidade da creación da banda deseñada galega."

Acredite em mim, penso que existe un funcionário da Xunta de Galicia a escrever textos e prólogos durante todo o ano para quadrinhos institucionais, catálogos e prêmios de Banda Desenhada. O político fala sobre o frescor das histórias em quadrinhos e a juventude em contramão das motivações artísticas dos autores, nem é preciso indicar a ausência dum discurso de recrutamento social em prol da normalização lingüística no texto editorial.
Agora resumirei o conteúdo duma revista censurada e cancelada por não se ajustar aos ideais estéticos do que deveria ser uma HQ, isto é, segundo os políticos e funcionários da Xunta (Hipótese 1.1), por não ter sido producida preocupados na segurança das crianças.


Dirigida por MiguelanxoPrado, Elipse incluía uma seção chamada Textual, com contribuições literárias, e outro apartado para ensaios sobre quadrinhos ch
amado Teorica Rex (para este nº 1: Na encrucillada dum novo século, de Agustín Fernández Paz). Parece-me que a seção literária era o fator de viveza necessário para o âmbito no que ia ser distribuída a revista, já que só uma quota muito pequena foi às lojas especializadas em quadrinhos, aparecendo um número incrível delas em livrarias generalistas e nas faculdades universitarias da Galiza. Mesmo tive que passar a experiência de ir merca-la numa faculdade da Corunha!
Textual: Um relato curto de Suso de Toro titulado Traffic Man e o poema O culto, ilustrado por Cristo Aleister, de Iolanda Castaño (
dois astros das letras galegas).
As HQs são muito melhor sucedidas do que as contribuções literias. O blues da mala sorte
(Bad luck blues) de Dudi e F-354 do roteirista Carlos Portela e o desenhista Fernando Iglesias compartem temática de acontecimentos cotidianos entorno aos estados anímicos. Esta HQ da dupla Portela e Iglesias é a mais conhecida, publicou-se também no livro teórico Nosotros somos los muertos: el arte de la resistencia de Norman Fernández e Pepe Gálvez (Semana negra de Gijón), a história desenrola-se no Japão: sua protagonista é uma obreira mais perto da psicose do que o amor depois de ter acordado de entre as filas dos indivíduos submetidos à homogeneidade da vida japonesa. A troca de mensagens com outro usuário desconhecido do arrendoado dormitório do hotel-cápsula onde reside evidência a fragilidade duma forma de vida em excesso monótona, e serve aos autores para comunicar a miséria cidadã enfrentando a estrutura temporária com a psicológica. Pois o título da revista foi escolhido como uma nota promissória:

"Comecemos por xustificar o nome. Non é o amor á xeomatría o que nos leva a denominar así a revista: "Elipse" fai referencia á característica mais nidiamente diferenciadora desta linguaxe. Esa liña divisoria ou ese espacio que fenden a páxina entre viñeta e viñeta son un abismo que se abre ante o lector, un baleiro que fai da banda deseñada a linguaxe máis elíptica de cantas hoxe se utilizan. Unha historieta bem resolta é un miragre de síntese no que a meirande parte da historia nin se conta nin se ve, transcorrendo secreta, agachadamente, neses sucesivos baleiros. "

Na web de Miguelanxo Prado pode-se ler online Achegamento á Teórica da Caixa [link]--> secção De paso...




Abaladoiros do alén de Kiko Da Silva e A porta de Fran Bueno Capeáns completam a revista. Esta última é minha favorita, uma realidade estranha e inexplicável ambientada num meio cotidiano. Intimista mas angustiante. A história dum homem que alugou novo domicílio e vive o pesadelo da incerteza que produz uma habitação utilizada por seu arrendatário como desvão. Um ancoradouro de trastes velhos, ainda que o dono possa abrí-lo alguma vez adiante de seu inquilino, fechado à margem da realidade. Ele também fai voz desse outro mundo do lado da porta. Assim, depouco em pouco uma consistência inabitual apodera-se dela até encostar ao protagonista no fundo dum buraco de contrastes escuros e angulações angustiadoras. Não será uma autobiografia?
Só um número, e desapareceu. Elipse.

Título: Moncho Valcarce (Biografia breve de).
Roteiro: Irmandades Moncho Valcarce.
Desenhos: Fran Bueno.
Editorial: Deputação da Corunha.
Data de publicação: 2010.

[Caderno grampado (21x15), 8 páginas, colorido. Gratuito.]

Banda Desenhada biográfica distribuida de graça em bibliotecas e centros públicos. Um desses bons tebeos custosos de atopar passados uns anos. Tesouro de colecionadores!

Irmandade Moncho Valcarce []--> www.monchovalcarce.org

"Definida xa a súa opción ideolóxica nacionalista non tivo reparo en participar activamente na política, militando na AN-PG (Asemblea Nacional-Popular Galega) e participando nas primeiras eleccións dos comezos da democracia en 1977 como senador do BN-PG (Bloque Nacional-Popular Galego)."


2 comentários:

Anônimo disse...

Hey - I am definitely delighted to find this. cool job!

DC disse...

Olá Ismael
Este fim de semana estarei no Salon del comic de Barcelona. Se também fores envia-me um mail para combinarmos algo.