Assim devia ser a viagem?
Quero servir-me deste blog para aprender português e divertir-me enquanto recordo alguns velhos quadrinhos espanhois (algum atual). Seguramente logo de mil anos eu rirei com todos os absurdos gramaticais e erros ortográficos... "Terei um montão de post por corrigir!"
Perdoem os erros gramaticais, qualquer indecisão ortográfica, e assinalem essas faltas se dispusserem de tempo, obrigado!

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

A paranóia natural com quadrinhos.

Título: Ú, la Grieta Móvil. Historias del Norte profundo.
Roteiro e desenhos: Garcés.
Editora: Norma Editorial, coleção CIMOC Extracolor (nº 73).

Data de publicação: 1991.


[Álbum colorido (29x22), capa mole, 48 páginas. Texto de Miquel Barcelo.]

Eu tive a fortuna e graça de escutar ao vivo alguns desenhistas dizer que o desenho é sua verdadeira linguagem. Instantes fantásticos, puramente fictícios, duma realidade nunca esboçada e provavelmente incomunicável. Não é defeito, não é erro, simplesmente é, e não deixa de ser nunca, imaginação. O trailer de imagens exclusivo desses homens e mulheres que são desenhistas.
Como não-desenhista, só posso reconhecer essa verdade desenvolvendo uma fé especial. Um tipo de fé que tome a ficção como o único projeto de realidade possível. No entanto, durante o tempo que permanece-mos cegos na incerteza da faina fantástica do desenhista, ainda somos capazes de projetar uma dúvida sobre as regras (ou as não-regras) que regem essa realidade incomunicável, uma confluência de interrogações que qualquer não-desenhista se proporá antes de abraçar a fé no projeto fictício das histórias em quadrinhos:

Qual é o setting (a situação, o contexto) dessa linguagem misteriosa?

Eu não tenho uma resposta -sou um pagão, um não-desenhista,-. Mas creio que o desenho como linguagem social deve possuir diferentes graus de simpatia, desconfiança e egoismo interior afastados de qualquer esquema de normalidade que o conectariam com os leitores criando uma estructura contextual entre desenhista e leitor. Uma estrutura misteriosa à semelhanza dos processos de pidginizaçao e criolhização. Fora disso eu não entendo o porquê eu merquei este tebeo aos treze anos.
Creio que saí da livraria com Ú, la Grieta Móvil porque a ilustração da capa representava um personagem translúcido, um aerostato inimaginável e um grupo de figuras ascendendo território montanhoso. Esses detalhes somados à calidez azul do ar, os diminutos dragões-lança e o revelador espelho dum ser endentado na cabeça dum robô. Tudo do melhor da ciência ficção, suponho. Eu não são muito entendido.
Imagina um mundo com uma colossal muralha geológica separando umas terras altas e um norte profundo. Uma grande serra aberta como uma falha que se está a estreitar numa transformação cíclica até impedir toda comunicação entre um e outro lado do mundo. Ainda existe uma greta nessa muralha, Ú, a greta móvel. E roubei um documento com sua exata localização, clica na imagem para conhecê-la enquanto eu descubro o que vou escrever depois desta frase. Isso vai demorar...
Há uma perfeita continuidade na greta e jamais se saberá se a muralha é uma separação, uma divisão, ou a tampa duma prensa que contém um mundo dentro doutro mundo. Volta a olhar para o mapa! O Norte é líquido.
Em alguma cousa eu acertei, Ú é um tampo. Um pedaço de pele da Terra virginal, o hímem dessa outra terra além das alturas que chamam Norte profundo. Os reinos do paradoxo e a paranoia comportam un movimento idéntico em ambos territórios. E o vento move o imperfeito, o errático, e o mal e o bem. É por isso que os arqueos, as pequenas mas velozes silhuetas de dragões antigos, se beneficiaram da radiação prosperando nas Terras altas enquanto se extinguiam no Norte. As coisas da terra são suas, eles apenas o brinquedo sanguento dos súbditos da grande sombra Sir ∞. Pesse a iso, existe certo consenso em que os laboratórios do mal também acostumam ser lugares divertidos; têm ali um diretor geral, uma eiruga morada com três bocas chamada Sir ².
O que está para ocorrer? A música, un disco de ópera, que por sorte não escachou, salvará da morte a Vander Fripp. A música... Ot Seag, Blob e Tain, e Vander Fripp terão que escapar atravessando os céus infestados de engenhos bélicos semelhantes as pandorgas e papagaios mas letais como centos ou milhares de minas submarinas. O bom senhor, o malvado diabo. Existem planos para todos os assuntos num e outro lado da muralha. Mas será junto a greta no mar onde escutaremos a última sereia. Ou a música, ou o disco...


Um universo de refugos e desperdícios, de maquinarias impossíveis, onde as tecnologias químicas e genéticas fazem parte de ritos religiosos de renovação convertem a esta HQ numa das histórias de ciência ficção mais maravilhosas. O maravilhoso. Talvez toda a extensão desta palavra? Eu não sou muito entendido nestes estudos sobre a degradação do meio.
No entanto Toni Garcés, roteirista e desenhista das Historias del Norte profundo, parece um grande conhecedor da ecologia humana, um criador de ambientes que sobrevivem ao comum inventariado das condições de vida mais usuais. De fato, suas histórias também parecem mundos naturais constru¡dois à deriva entre a simplificação e a complexização; um enfoque renovado da ciência ficção de especial interesse para os leitores que apreciam aos fabulistas do apocalipse. Pois suas imagens não são as dum profeta, senão as dum fabulador.

Quiçá essa foi a razão de que não tivéssemos mais histórias desse Norte líquido na revista em quadrinhos
Cimoc, os fabuladores não são gente exemplar. Quem sabe se algum dia voltaremos a ouvir essa dessordenada melodia...


Tirinha publicada no blog do desenhista [link]--> Bon VOY263
Tirinha inédita []-->
Centurifox


Museum [link]--> 6.11
Museum
[]--> Síndrome de Rorschard

Mr. Brain
(nº 1) []--> V345US
Mr. Brain
(nº 3) []--> Vertical
Mr. Brain
(nº 4) []--> Polén

Páginas inéditas (inacabadas) La Grieta Móvil II []--> 1 e 2

Trazos en el bloc
[]--> Recordando a Toni Garcés


Imakinarium Ui ar de Japis
[]--> Garcés

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