Assim devia ser a viagem?
Quero servir-me deste blog para aprender português e divertir-me enquanto recordo alguns velhos quadrinhos espanhois (algum atual). Seguramente logo de mil anos eu rirei com todos os absurdos gramaticais e erros ortográficos... "Terei um montão de post por corrigir!"
Perdoem os erros gramaticais, qualquer indecisão ortográfica, e assinalem essas faltas se dispusserem de tempo, obrigado!

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

o grampo do horror.

Título: Hamramr.
Roteiro e desenhos: Mike Ratera.
Editorial: Ediciones Glénat España, coleção Tebeos Glénat - Autores Españoles.
Data de publicação: 1995.

[Série de seis comicbooks de 28 páginas (26x17) com capas coloridas e interior em preto e branco. Breve resumo argumental na segunda coberta dos números um até o cinco, e um texto editorial no sexto e derradeiro da série.]

Muitos dos quadrinhos espanhóis que eu mercaba eram cadernos grampados (comicbooks), quando estes ainda eram um objeto diferente das outras moedas comuns na cultura. Esses anos noventa foram a Época do grampo: primeiramente os jovens desenhistas procurando auto-editar seus propios trabalhos, e o surgimento dos editores aficionados. Logo depois daquilo, as editoras profisionais Norma, Glénat España e Planeta DeAgostini começaram a reproducirem o exitoso e estranho fenômeno -ou seria ir um pouco além ao citar o editor legendário, Josep Toutain, e os clásicos grampados Kraken, As de pique, Andrax...- mas atrevo-me a acrescentar que, ainda que não sempre estivessem invariável e corretamente concebidas, as duas linhas editoriais ou colecções que emferrujam e corroem o papel ao seu arredor publicaram os melhores comicbooks que eu li nesse anos.
Existe sim, outra afirmação, eu era leitor devorador de quadrinhos de cavaleria super heróica. Um tipo de banda desenhada comercializado na Espanha no mesmo formato. Esse era o engano maravilhoso!
Como leitor de tebeos, foi uma grande época para mim; as tradicionais revistas de histórias em quadrinhos morreram, mas eu ja tinha encontrado outro alimento. Uma patuscada, fora de horas, de vida breve mas intensa. Pouco mais de nove anos. A Época do grampo.Hoje escolhi duas BDs de horror da colecção Tebeos Glénat - Línea autores españoles, creio que são autores famosos no mundo dos quadrinhos. Quiçã não são. Somente sei que estas imagens furtadas seram uma rúa radial até o centro da única cidade circular realmente existente. Internet.

"O que é mais profundo no homem é a pele" , Paul Valéry

Muitos dos amigos deste blogue, encanecidos leitores doutras torturadas historietas terroríficas, já reconheceram a palavra marcada pelo quadrinista Mike Ratera para titular sua obra, Hamramr, e agora sorriem. Ás claras, lobisomen! Um culto muito maior que o habitual no que o desenhista recria um espacio psicológico e cultural para o lobisomen concentrando seu gesto educado no folclore e a mitologia germânica. Mas ele ordena e estabelece seu modelo dentro dum trajecto afastado do simples catálogo de referências: o acampamento da selvajeria urbana onde mesmo o lobisomem perde a sua pele para mostrar a supervivencia duma antiga tradição ainda não extinguida, a cidade como território.
Não por acaso, o senhor Ratera situa-nos asim perante o horizonte da grande urbe indefendible da Grande Maçã, onde um gigante perfeito (superior) toma o vento e cheira o ar como um animal. Invísivel. Trás do sufrimento, o mal e o vicio das muralhas dos ranha-céus. E atopa a primeira vítima para o sacrifício urbano, um nigger, ou nigga, un descendente dos escravos. Pecando pela drogadicção junto ao sulco da Roma moderna, muro baijo, uma porta redonda pela que os mortos saem da cidade. Ambos são o ideal um do outro, vítima e asasino, en Central Park, os refundadores de Nova York.
O asasino, Erik Wulkan, veste uma gabardine mediante a qual se transmite a brutal analogía da mudança de pele, igualmente utilizada por Frank Miller e seu personagem Marv (Sin City). Ainda que a mudançã de Erik Wulkan resulta mais extrema, pois contrariamente às cicatrizes, o rosto de couro, e o jogo irônico dos sobretudos de Marv, mostra-se como um medio sensorial. As svasticas tatuadas sobre seu corpo são a primeira pista deste caráter sobrenatural de Hamramr.
Depois desa sangrenta refundação da metrópole conhecemos a Clinton, irmã da vítima sacrifical, prostituta e bailarina, uma vingadora que se tornará sensível à fonte natural do poder de Wulkan atravessando sua própia iniciação dolorosa. E a Jacob Levitz, o caçador de nazis. Protagonistas desta história de horror onde se aunam a II Guerra Mundial, a perseguição dos nazistas na América, e a impossibilidade da grande urbe para absorver o social-fragmentário. É nesta senda das lembrançãs do lobisomem que o leitor encontra o dia de sua transformação radical, quando as tropas de Hitler retrocedem em Rússia como animais selvagens. Acredito que podem ser os momentos preferidos doutros leitores espanhóis que ainda recordem estes tebeos; ao labor de documentação do autor sobre a ideologização dos soldados alemães achegam-se os relatos dos guerreiros nórdicos e os ataques de loucura diabólica atribuídos pelo folclore aos homens que se apropiavam das formas das bestas. 
Seria estupido recordar a derivação da palavra hamr, ou as histórias rusas sobre os homens cobertos de peles que percorriam o país saqueando e matando. Mike Ratera tem amalgamado todos esses componentes numa BD mitológica, seu lobisomem mistura o refinamento na crueldade dos soldados nazistas à loucura diabólica das crendices russas e a pele e a roupa das lendas nórdicas. Tal como se pode apreciar na imagem acima, a esquisita crueldade dos soldados semelha-se ao comportamento atribuído pelo folclore russo aos seus lobisomens, o protagonismo do horror sobrenatural é o maior logro. Uma conclusão lógica, pois o embelesso racista do oficial das SS protagonista da história tem seu equivalente expresso pelas expêriencias cosmo-biológicas estudadas por Mircea Eliade sobre a autoctonía mística. (Eu creio que) Só o personagem Slaine de Pat Mills reflite o mesmo sentimento, mas ao pertenceres ao gênero da fantasía heróica é facilmente apreciável. Bem mais fácil do que refleti-lo num quadrinho de horror? Não vou esquecer a pergunta.





Veja agora imagem ao lado, o lobisomem de Mike Ratera. O berseker. Erik Wulkan logo de se transformar no homem perfeito que o fanatismo hitleriano profetizava, eu já anunciei, no passado ou no futuro, gabardine o couro de animal, são o reflexo dum mesmo elemento, a pele. E a mudançã da pele como modificação da experiência sensorial.
Nunca relatarei o que foi de seus soldados. Ou a cerimonia que transformou a Erik Vulkan num monstro superior. Pois quero que os meus vizinhos de blogue possam ler a história. Entre outros 'horrores aos quadradinhos', por exemplo o grampo de Jesús Saiz, Azoth, este tebeo merece ser reeditado na Espanha, ou em qualquer outro lugar. De regresso, enquanto esperamos pelo milagre da reedição deste material popular, repetitivo e mítico, referirei outro dos aspectos mitológicos desta BD: o horror urbano.
Esquecer-vos daquele sovkhoz. O lobo, o cemiterio e as strigoi. Já vos dissem que seu primeiro asasinato new-yorkino aconteceu no centro da cidade? Como Eliade, como Ricardo Barreiro e Juan Giménez, o senhor Ratera conhece a importância do centro. Uma mulher "Es deseo de mi señor Shango que así sea.", um velho judeu "¡Con la ira de Yavé yo te destruyo Golem!", dos tolos assasinos perseguem ao lobisomem; um deles lhe extrairá sua última pele, outro atravessará seu coração. Como num filme de Jon Carpenter, privado de todos seus emblemas mágicos a nova criatura deixa atrás seu passado, a guerra, a ideología nazista, quiçá, a raíz folclórica (demasiado remota) para instaurar un novo terror nos subúrbios. Um horror sem identidade entre os cubos de lixo da cidade.
"O que separa a alma do corpo não é a morte, é a vida.", Paul Valéry, e num meio modelado pelas diferenças sociais e raciais a vida separa os arranha-céus dos príncipes que os levantaram. Neste ordem formal do universo cada assasinato, cada ato de desigualdade, refunda a cidade, então o lobo não precisa de sua pele.
 


- Uma história de Mortadelo e Salaminho/Salamão e Mortadela com roteiro e desenhos de Mike Ratera no blog [link]--> El rincón de Mortadelón
- Resenha de Hunter no blog []--> markowsky4ever.blogspot
- Mike Ratera em []--> Historeitistas españoles de la A a la Z








 - Blog do quadrinista []--> mikeratera.blogspot.com
- Mike Ratera e Conan []--> Ultimate Conan Fanblog


 

Título: Hombres y bestias.
Roteiro e desenhos: Rafael Garrés.
Editorial: Ediciones Glénat España, coleção Tebeos Glénat - Línea Autores Españoles.
Data de publicação: 1995.


[Série de três comicbooks de 28 páginas (26x17) com capa colorida e interior em preto e branco. Texto editorial na segunda coberta dos números um e três, e uma secção de cartas dos leitores titulada Correo de Necrópolis.]

Este outro tebeo também pertence a mesma editora e colecção do grampo enferrujado, Tebeos Glénat - Línea Autores Españoles. Hoje não me lembro se Hombres y bestias foi a primeira série da colecção, uma colecção esquecida que se viu eclipsada pelos comicbooks espanhóis da Línea Laberinto que sua competidora Planeta DeAgostini começou a publicar depois do lançamento dos grampos de Glénat. Ambas as duas colecções estouraram. 




Sangue, garras e fome insaciável crescem na Necrópolis de Rafa Garrés em semelhançã aos quadrinhos extremamente impactantes dos anos noventa chegados do mercado norteamericano. Uma história singela, um espaço desabitado, inexplorado, no que desaparece um grupo de duros soldados acostumados as atrocidades. Necrópolis, a cidade do futuro: "O que é a Necrópole? A Necrópole é um pesadelo postindustrial que se estende numa extensão de centos de quilómetros quadrados ao redor de New City. Faz alguns anos era o paradigma do progreso industrial." Trata-se do elemento mais atrativo da história, ainda que de forma quase embrionária; de fato, eu não sei se Necrópolis é o arrabalde da cidade ou seu antigo centro transformado pelo conjunto de gigantescas fabricas. Agora abandonadas, estas construções aparecem alagadas e convertem-se em subterâneos. Junto delas resiste uma catedral.






 

Este gibi não possui elementos sobrenaturais que eu saiba apreciar, mas o protagonista e seus adversários são personagens clássicos: Sabage, um mutante (espécie de licantropo), e o comando de metahumanos Termination Force. Quer se divertir averiguando quem persegue a quen? Todos eles são caçadores, mas só duas das bestas possuem uma natureza antiga. Uma casta ou raça.
Em qualquer caso, o passado de Sabage concorda com signos apocalípticos deste futuro postindustrial, e parece confirmar que as cabeças dos mortos devem-se enterrar dentro da cidade. Inimigos inesquecíveis e velhas armaduras.






 

- Rafa Garrés [link]--> Imakinarium
- Blog do desenhista []--> garres2.blogspot.com 

- Conan e Garrés []--> The Ultimate Conan Fanblog


quarta-feira, 3 de agosto de 2011

O filho mediador de David Rubín


Título: El Héroe (volume 1).
Roteiro e desenhos: David Rubín.
Editorial: Astiberri, coleção Sillón Orejero.
Data de publicação: abril de 2011.

[Livro colorido com capa cartonada e lombada colada e costurada, 17x24, 280 páginas. (Com o apoio de Roque Romero e Bernal Prieto na separação de cor dos capítulos 2, 5 e 9, do livro.) Prólogo do desenhista Paco Roca, e uma nota biográfica de David Rubín.]

As histórias aos quadradinhos são uma instituição ritual. Qualquer leitor desavisado, fã colecionador de tebeos/gibis, perguntou para eles o porquê dessa misteriosa questão. Mas às vezes essas coissas de papel não respondem, incomum para a época, já tenho visto um refrigerador conversar com um homem, e, então, impõe-se ficar com a roupa do autor desse quadrinho nas mãos. Ele tem as respostas!? Agite o quadrinista antes de usar.
Sei que é frequente um desenhista estar disposto a reconstruir un mito, mas parece-me difícil de acreditar que David Rubín só cobice reconta-lo. Eis algo evidente, atualmente este autor poderia ser conhecido como o maior contador de contos dos quadrinhos espanhóis; enquanto já explorou a produção de obras unitárias de longa ou média extensão, ainda que privilegiou a encenação metafórica de aspectos ignorados (o ton das histórias) em todas elas. Um atalho atraente que culminou com Cuaderno de tormentas, marcha progressiva de instantes psíquicos dum autor-protagonista vencido pela potencialidade antagónica de suas própias criações. Desafio aos leitores fieis, que nem tudos superariam.Há apenas uma coisa que voçê deve se precaver o mercar uma BD deste desenhista espanhol: gosta de contos e mitos?
Talvez voçê não errou na hora de mercar El Héroe, alem disso, atopou um tebeo muito raro... "Hércules virou superherói mangá!"


Vitoria por acumulação iconográficaJá percebi que os dias chuvosos é placenteiro voltar a ler esta primorosa HQ. Na que torna-se apreciável a análise (consciente ou inconscientemente) do herói solar, pois, mais além da infelicidade doutras revisões intelectuais, cruamente estúpidas e vacias, o quadrinista espanhol reconta um mito ao que agrega o símbolo iconográfico do superherói. É por isso que os Doze trabalhos de Hércules aparecem ligados sentimentalmente por episodios sexuais de amadurecemento mediante os que a façanha torna-se mais importante do que os aspectos da submissão ao destino doutras maldosas traduções deste mito. "Está batendo à porta o Gilgamesh de Jim Starlin!"
Acção é acção. O exercício da acção violenta e a execução da façanha são o mais importante. Ainda que somentes as margens da narração coloram a linha entre o bem e o mal até satisfaze-la sua faminta e cortante singularidade. O relatório sexual de Hércules. Euristeo. Hera. Os escasos aliados e amigos. O bem e o mal.
Mas isso já foi visto noutras HQs. O projeto autoral de acumulação iconográfica surge do pessoal desciframento do mito do herói solar, no que, por exemplo, David Rubín troca o facho purificador que impedia a regeneração das cabeçãs da Hidra de Lerma por um bombardeio aéreo seletivo sob espectativa delirante de que seu herói pop posui, como equivalente para o bronce grego, uma catana. Estes detalhes acumulativos entretecerão uma imaginativa controvérsia, pois neste mito recontado cresce o antagonismo entre um icono verdadeiro e o ídolo ou fetiche publicitario; no deciframento deste mundo arcaico e futurista deparamos com revistas, gelados, comicbooks e produtos utilitarios, o merchadising de Hércules, uma acumulação iconográfica polêmica. Mas também mediadora. Algo que se manifesta ambiguo durante as primeiras aventuras, até intercalar um debate radiofónico na sede central de Radio Oráculo, em Atenas, onde o velho mestre de Hércules, Quíron, defende ao herói contra a banalização de sua gesta. Um debate titulado 'Heracles: Herói ou produto' que Hércules esta a escutar (co seu iPod!) nos currais do rei Aúgias.
Mas o leitor imposível deste texto improvável pode desejar mais do que soube explicar. Eu não encontrei imagens esclarecedoras. Só roubei uma página misteriosa, veja a imagem acima a dereita, um enigma antes do prólogo, trata-se de David Rubín?
Ele foi um leitor ritualista e atualmente um autor platónico de historietas. No final deste primer livro Hércules ve-se asediado por um bonifrate muito odioso para Alejandro Jodorowsky. Eu não revelarei sua linagem porque gostaria de ver este tebeo nas mãos dos leitores portugueses e brasileiros. O leitor verá a Diana. Desfrutará dos bonecos do Quarto Mundo. Poderá apreciarem entre outros recursos clásicos da banda desenhada uma espectaculosa transição simbólica da cauda duma estrela até o cordão umbilical dum herói. Corpos de serpes, as cabeças da Hidra e os cabelos espinhosos como veias ou raízes sanguentas de Hera, e a intimidade amorosa do laço.
"E um pássaro de Alberto Vázquez e um homemtouro de Santiago Sequeiros? "

Tebeosfera. Revista web sobre historieta nº 7




Hijos de la democracia
Neste número a revista Tebeosfera oferece para o leitor estrangeiro uma interessantíssima expossição de artefactos (tebeos) e maravilhas (artigos, resenhas e entrevistas), um mostruário de prodigiosos jovens desenhistas, roteiristas e humoristas gráficos espanhóis. Um espelho como os dos mitos e as tradições folclóricas onde este leitor espanhol achou ele mesmo, muito juvenil. Muito monstruoso e cheio de possivilidades. "Possivilidades democráticas!?"Pão ou não pão: that is the question. Ou o que fosse. 84 Textos coordinados pelo divulgador e teórico Félix López sobre autores nados depois do 20 de novembro 1975, data oficial da morte do desmoralizador nacional Francisco Franco Bahamonde ('el feo de las pesetas' caricaturado por Belmonte). Desenhistas como David Rubín entrevistados mediante um modelo exigente, mas flexível, que permite extraírem conclusões para os leitores portugueses e brasileiros comprender o mercado espanhol e seus autores.
[link]--> Sumário[]--> Um espíritu libre. Entrevista a David Rubín.
[]--> Ficha de David Rubín no Gran Catálogo de la historieta

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Viñetas desde el Atlántico 2011

Oswald Spengler até tentou destruir o aparelho de mais dum millão de peças de cerámica e farrapos MP-1958, popularmente chamado de soprador de historietas, que constrói vinhetas de cem em cem anos no mês de agosto na Corunha. Seu fracaso é a victoria dos desenhistas, roteiristas, críticos, livreiros, leitores, e algum editor, que empregaram utilmente o espaço urban.
A nova edição acontece em agosto, a partir do dia oito até o catorze, ainda é praticamente impossível ficar por dentro de tudo o que vai acontecer; já surgiu na web a primeira noticía oficial sobre os diversos nomes e exposições [link]--> http://www.vinetasdesdeoatlantico.com/

Antes do novo festival começar está nos planos deste faminto bloguista recomendar novos e velhos tebeos, autores espanhois, e algum local relacionado com o paladar:


Seu governo não quer confronto sobre a questão, mais voçê sabe que os leitores de banda desenhada e histórias em quadrinhos introduzem alimentos solidos na boca. Os olhos dos leitores de tebeos comem, mas também as suas bocas.
No caso de ter pernas diminutas e um corpo minguado (igual ao meu) compareça num estabelecemento o mais perto possível do Kiosco Alfonso, lugar de exposições e conferencias de Viñetas desde el Atlántico. A Sidrería Casa Lelín (calle de los Olmos, 16) dá ao desfrute de visitantes estrangeiros gastronomía galega e asturiana, é o meu conselho []--> www.casalelin.es
Depois da comida um bom remedio para emagrecer, visite a Biblioteca Infantil e Xuvenil no edificio Salvador de Madariaga. O lugar faz parte do evento onde são expostos os Prémios Castelao de cómic. Uma biblioteca com tebeos e um horário alternativo (luns a venres de 09.00 h a 14.00 h e de 15.00 h a 20.00 h. Sábado de 10.00 h a 13.00 h) para os visitantes neste festival.



Jordi Lafebre, Antonio Altarriba, Teresa Valero, David Rubín:




























































sexta-feira, 6 de maio de 2011

Uma aventura alquímica do Eternauta.

Título: El Perro Llamador y otras historias.
Roteiros: Sergio Kern, Toni Torres, Mauro Mantella.

Desenhos: Solano López, Salvador Sanz, Cristian Mallea,
Jok, Enrique Santana, Sergio Mulko, Ariel Rodríguez Migueres, Enrique Alcatena.
Editorial: Doedytores, coleção Universo Eternauta.

Data de publicação: abril de 2010.


[ Álbum em preto e branco (27x20), capa mole, 64 páginas. Cada capítulo ou historia vem precedido por um prefácio dos autores. Ilustação da capa de Solano López e Pol (Pablo Maiztegui). 3000 Exemplares.]


Este álbum é a terceira entrega da coleção Universo Eternauta dirigida pelo desenhista Solano López e publicada por Doedytores. Também é o quadrinho argentino que quis ler desde a primeira vez que eu vi (em internet), pois este terceiro álbum encerra a conclusão duma das historietas na que mais imaginativamente tenha sido recreado Juan Salvo, o inseparável soñante de Oesterheld e Solano López, junto a duas histórias extras. Narrando uma delas o encontro entre o Eternauta e outra importante criação argentina imortal, Gilgamesh. Dos favoritos deste bloguista espanhol.

Sergio Kern
conta em sua apresentação a oportunidade na que conheceu a Solano López em 1982 durante o primeiro Salón del cómic de Barcelona. Um feliz encontro entre roteirista e desenhista do que surgiria este sempre postergado empenho por criar novas histórias com o Eternauta, hoje retomado pela Doedytores:

"Me dijo que quería dibujar un nuevo Eternauta, una versión distinta a las que se venían haciendo desde que había dibujado el clásico que escribió Oesterheld en los años 50. Me pidió que escribiera el nuevo guión y me comentó que quería retomar desde el final de la primera versión de Oesterheld, cuando, el Eternauta queda en un sitio yermo, solo.

Me dijo que cada nuevo álbum del Eternauta comenzará en un solitario sitio de algún nuevo planeta y habló de llevar la historieta del nuevo héroe argentino a un lugar atemporal y universal."

Pese o desenhista argentino realizar outras novas aventuras como o álbum titulado
El mundo arrepentido (reeditado no nº 1 da coleção) ou a série El regreso, esta extraordinária obra ficou inconclusa até a criação do Universo Eternauta. Em cujo terceiro número por fim uma nova geração de desenhistas argentinos foi convocada para ilustrá-la continuando o primeiro capítulo de oito páginas desenhado por Solano -páginas que muitos leitores conhecíamos apenas por ter sido publicadas no livro Solano López. En primera persona (Ancares Editora) -também distribuído na Espanha-.

El Perro Llamador (O Cão Avisador)
Não é certo, mas as vezes eu creio desejar não ter lido El Eternauta de Oesterheld e Solano. Esta verdade não pode ser mascarada. O que aconteceria se eu não tivesse feito isso? Pensando na história, desagregando o protagonista da Terra... Solucções simples e práticas, sonhar ou imaginar.

A cratera de Kern. Uma aventura alquímica do Eternauta.

Posso ver um ser humano saído do nada. Do ar envolvendo a terra. Um primeiro homem, quiçá um homem de luz, materializando-se num páramo celeste. Ele estava ali o tempo todo? Quiça desconheça a resposta, ou não precise dela para ir dum lugar para outro, mas parece um peregrino. E não caminha sobre as águas, da passos na areia como um viajeiro do destino borda suas pegadas no solo que começa.
É este ser um homem divino?
Uns meninos nus não podem sabê-lo. Só tenhem seu múrmurio musical "...MMMMMMMMMMMMMMMMM", um canto de vermes dormidos, de humanidade esvaecida. Quiçá este deserto é cinza doutro tempo que se expõe no interior duma gruta como num museu, com desenhos primitivos duma tribo onde já não existe o homem. Por isso Juan Salvo o Eternauta se materializou ali, porque o Eternauta recorda. Ele sempre recorda.
Sai a fumaça da terra com seu calor interior. O Eternauta caminha para o crater descendo junto a tribo de meninos nus e escuta o chamado duma humanidade ressumbrada contra seu própio inconsciente, uma voz glotona que fala. Voz sitiante, um cachorro, diz a voz, um deus do tempo, um lobo estando a viver muito abaixo na terra, que não recorda como se produziu a extinção da humanidade, mas existe como surge uma mancha preta numa ensonhação: também capaz de afundar em sua boca a este peregrino! Uma laguna vaporosa onde a personalidade abala-se e o índividuo logo em seguida deseja entregar-se ao esquecimento. Mas nunca o Eternauta, porque ele, Juan Salvo, sempre lembrará.

Esta é a história que creou Sergio Kern e Solano López desenhaba no momento em que Juan Salvo introducía-se no nevoeiro incestuoso do Perro Llamador onde se perdiam os meninos até consumir seus corpos e suas memórias. O enigma foi entregue a novos desenhistas Salvador Sanz, Cristian Mallea (assistido por Jok), e Enrique Santana, e hoje os leitores sabemos o que o ar que aparecia como fogo dum forno íntimo falaba: uma nova humanidade e uma nova terra.

As outras duas historietas autoconclusivas que completam este álbum também são obra duma confissão e dum tecelão. A primeira delas, El día en que Gilgamesh y el Eternauta se encontraron, com roteiro de Toni Torres e desenhos de Sergio Mulko, narra o encontro entre os dois viajantes do tempo Gilgamesh o imortal e o Eternauta no dia em que Buenos Aires era invadida, como se contou no Eternauta original (1957) obra de Oesterheld e Solano. Uma aproximação mediante a que Toni Torres conquista amorosamente, com liberdade e respeito, o passado e o futuro de ambos os protagonistas.
Essa mesma admiração é o tecido principal de La Balada de los Gurbos, roteiro de Mauro Mantella e desenhos de Ariel Rodríguez Migueres e Enrique Alcatena. Uma história que recupera o formato horizontal do Eternauta de 1963 e os míticos gurbos, o interesante é que com dez páginas conta-se a cosmología destas criaturas. E quem sai por cima disso tudo é um mano. O protagonista é um mano!




Universo Eternauta [link]--> Mas historietas argentinas

Resenha do periodista Andrés Valenzuela []--> El último Eternauta

Universo HQ []--> El Eternauta

[]--> Salvador Sanz Cristian Mallea Ariel Rodríguez



Título: Solano López. En primera persona.
Autores: Andrés Ferreiro, Hernán Ostuni y Javier Doeyo.
Editorial: Ancares Editora.
Data de publicação: 2001.

[Livro (17x26) de ilustrações, páginas e desenhos, rascunhos e quadrinhos inéditos do Eternauta de Solano López. Capa mole, preto e branco. Prólogo de Javier Doeyo
.]

Ainda que existe uma segunda edição do sketchbook (com uma capa diferente e material adicional) esta primeira edição continua a ser um manancial de informação ao respeito dos méritos de Solano López e o Eternauta. Um ótimo exemplo são as seguintes páginas de La Vencida, um modelo da forma em que são apresentadas todas as versões, projetos inconclusos, e aventuras do Eternauta desenhadas por Solano López desde 1957 neste livro:







Entrecómics []--> Solano López e Viñetas desde el Atlántico




Título: Oesterheld (Rey de reyes).
Autores: Judith Gociol e Diego Rosemberg.
Editorial: Sinsentido, coleção Sinpalabras.
Data de publicação: 2007.

[Livro (16x18) teórico sobre quadrinhos com badanas, capa mole, preto e branco, 72 páginas. A coleção Sin palabras é uma produção do Colectivo Lápiz de Tinta]



Pequeno é maravilhoso livrinho da editorial Sinsentido na sua coleção Sinpalabras adicado ao roteirista argentino. Um projeto marcante de livros teóricos de preço acessível onde atopar textos elaborados sobre autores como Alan Moore, Enki Bilal, Berni Wrightson ou Carl Barks, e personagens dos quadrinhos como Conan, Spiderman e Luluzinha (Little Lulu). Fundamente conmovedor e ilustrativo (ademais de fotos e ilustrações, tres páginas com obras de consulta sobre o autor):

EL INNOVADOR: UNA CIENCIA FICCIÓN NACIONAL.

En un sentido estricto la ciencia ficción Argentina nació en argentina en 1875 con la primera novela que utilizó los recursos de un género incipiente, incluso en Europa. Viaje maravilloso del señor Nic-Nac, de Eduardo Homlgberg (1852-1937), relata una transmigración de almas al planeta marte. Ahora bien, según sostiene el especialista Horacio Moreno, el nacimiento de la Cienci-Ficción argentina contemporánea está signado por la aparición, en 1940, de La invención de Morel, de Adolfo Bioy Casares (1914-1999), el primer escritor en hacer uso intencional de las convenciones del género. Así pues, cuando Oesterheld se incorporó al universo de los viajes espaciales y los platillos volantes, ese imaginario -que maduraba a velocidad en el mundo- estaba en desarrollo en Argentina.
La primera revista dedicada a la Ciencia-Ficción en el país fue Hombres del futuro (1947) y, aunque duró tres números, sirvió para sentar las bases de un público seguidor del género que se cconsolidó con Más allá (sello Abril, 1953-1957), y a su cuerpo de redacción se incorporó el guionista (para más de un especialista, prácticamente la dirigía). Aún hoy, se la sigue considerando como la mejor publicación que el país tuvo.
Autodefinida como una revista mensual de "fantasía científica", Más allá (48 núms.) se distribuía en toda Latinoamérica, e incluso acogió a cartas de lectores españoles y de la URSS. [...] Por entonces también confluyó en la Ciencia-Ficción otra corriente corriente literaria, la de los "viajes extraordinarios", como la llamó Julio Verne, buenas excusas para cuestionar la política terrestre. Mientras eclosionaban la mitología ovni y la creencia en los grandes antiguos, razas superiores que habitaron la Tierra en tiempos remotos.
En este marco deben leerse las viñetas de Oesterheld que, en el caso de la Historieta argentina, no registraban muchos antecedentes significativos: El explorador interplanetario (PBT, 1916); Más allá, de Raúl Roux, publicada en el diario la Razón (entre 1938 y 1940). En esta última tira de tinte didáctico, aparecía Buenos Aires como escenografía en algunas partes del relato y el protagonismo se repartía entre tres personajes: un preanuncio de los recursos que hizo brillar Oesterheld.



Javier Mesón []--> El Coleccionista de Tebeos

sábado, 15 de janeiro de 2011

Revista institucional de Banda Desenhada foi censurada (1999).

Título: Elipse Revista galega de banda deseñada.
Quadrinistas: Dudi, Miguelanxo Prado, Fran Bueno, , Kiko Da Silva.

Roteiristas: Carlos Portela.

Desenhistas:
Fernando Iglesias.
Ilustradores: Cristo Aleister, Miguelanxo Prado.
Critico: Agustín Fernández Paz.
Editora: Xunta de Galicia (Dirección Xeral de Política Lingüística da Consellería de Educación e Ordenación Universitaria).

Data de publicación: outubro de 1998.


[Revista com brochura, cosida e encolada, capa mole (24x17), 66 páginas. Ilustração da capa de Miguelanxo Prado. Periodicidade
semestral. Prólogo do Conselleiro de Educacación e Ordenación Universitaria do 1998 Celso Currás. E "Adro" texto editorial introdutório.]

A revista em quadrinhos mais importante publicada na Galiza pelo seu poder de impato e pelos distintos fatores de motivação para expor os autores suas obras nesta publicação. Elipse, o ponto mítico na criação da Banda Desenhada galega, cujo segundo número não chegou a ser posto à venda, ainda que ja todos seus contidos estavam producidos e preparados. O que aconteceu? Eu vou soletrá-lo, CEN-SU-RA.
Haverá que advertir que evidentemente jamais eu consegui averiguar a natureza dessa desgraça nem os fatos exatos para o cancelamento da revista. Se fosse por suposto envolvimento sexual dalguma das histórias em quadrinhos a notícia teria sido divulgada com grande energia nos meios de comunicação públicos, os meios da Xunta de Galicia. Pois a Consellería de Educación e Ordenación Universitaria do goberno autonómico galego era quem acollera o proxecto através da Dirección Xeral de Política Lingüística. Um orgão mecánico e mineral de enorme sensibilidade.

- Hipótese , algum dos autores tentou publicar sua historieta em galego-portugués?
- Por simple eficiência energética, a hipótese parece improvável. "E LOGO NÃO?"

Eu creio que foi um caso de censura política. Só há que ler o texto escrito pelo conselleiro de educação daquele ano 1998 e contrastá-lo com a declaração de intenções artísticas do texto editorial.
Celso Currás escreve "A atracción que un medio coma o cómic exerce entre a mocidade é un feito doadamente constatable [...] Esta atracción que exerce sobre a mocidade, unida ó interese que ofrece a análise da súa linguaxe, ten levado a que um amplo sector do profesorado utilice o cómic como uma ferramenta didáctica nas súas aulas. Por outra banda, a lectura en galego está revelándose como un eficaz axente normalizador entre a mocidade. Cumpría, por tanto, que os nosos rapaces e rapazas tamén puidesen ler na nosa lingua unha publicación centrada nun medio coma o cómic, que ofrece tantas posibilidades creativas."
Fragmentos do texto editorial titulado Adro:
"Presentamos hoxe Elipse, unha publicación semestral adicada a uma linguaxe [...] Elipse quere servir de canle para publicar un tipo de banda deseñada dificilmente editable en soportes comerciais. Unha banda deseñada de autor, que amose a parte máis comprometida e cobizosa, formal e conceptualmente, da producción galega neste eido. Queremos manter o equilibrio -de intensidade e de calidade- entre a compoñente gráfica e textual, e, no binomio expresión-comunicación, salientar a primeira, pero sen menospreciar ou, moito menos, anular a segunda.
É, pois, un espacio reducido -e, se cadra, arbitrario- que non quere nin podería ser reflexo nin vía de promoción da xeralidade da creación da banda deseñada galega."

Acredite em mim, penso que existe un funcionário da Xunta de Galicia a escrever textos e prólogos durante todo o ano para quadrinhos institucionais, catálogos e prêmios de Banda Desenhada. O político fala sobre o frescor das histórias em quadrinhos e a juventude em contramão das motivações artísticas dos autores, nem é preciso indicar a ausência dum discurso de recrutamento social em prol da normalização lingüística no texto editorial.
Agora resumirei o conteúdo duma revista censurada e cancelada por não se ajustar aos ideais estéticos do que deveria ser uma HQ, isto é, segundo os políticos e funcionários da Xunta (Hipótese 1.1), por não ter sido producida preocupados na segurança das crianças.


Dirigida por MiguelanxoPrado, Elipse incluía uma seção chamada Textual, com contribuições literárias, e outro apartado para ensaios sobre quadrinhos ch
amado Teorica Rex (para este nº 1: Na encrucillada dum novo século, de Agustín Fernández Paz). Parece-me que a seção literária era o fator de viveza necessário para o âmbito no que ia ser distribuída a revista, já que só uma quota muito pequena foi às lojas especializadas em quadrinhos, aparecendo um número incrível delas em livrarias generalistas e nas faculdades universitarias da Galiza. Mesmo tive que passar a experiência de ir merca-la numa faculdade da Corunha!
Textual: Um relato curto de Suso de Toro titulado Traffic Man e o poema O culto, ilustrado por Cristo Aleister, de Iolanda Castaño (
dois astros das letras galegas).
As HQs são muito melhor sucedidas do que as contribuções literias. O blues da mala sorte
(Bad luck blues) de Dudi e F-354 do roteirista Carlos Portela e o desenhista Fernando Iglesias compartem temática de acontecimentos cotidianos entorno aos estados anímicos. Esta HQ da dupla Portela e Iglesias é a mais conhecida, publicou-se também no livro teórico Nosotros somos los muertos: el arte de la resistencia de Norman Fernández e Pepe Gálvez (Semana negra de Gijón), a história desenrola-se no Japão: sua protagonista é uma obreira mais perto da psicose do que o amor depois de ter acordado de entre as filas dos indivíduos submetidos à homogeneidade da vida japonesa. A troca de mensagens com outro usuário desconhecido do arrendoado dormitório do hotel-cápsula onde reside evidência a fragilidade duma forma de vida em excesso monótona, e serve aos autores para comunicar a miséria cidadã enfrentando a estrutura temporária com a psicológica. Pois o título da revista foi escolhido como uma nota promissória:

"Comecemos por xustificar o nome. Non é o amor á xeomatría o que nos leva a denominar así a revista: "Elipse" fai referencia á característica mais nidiamente diferenciadora desta linguaxe. Esa liña divisoria ou ese espacio que fenden a páxina entre viñeta e viñeta son un abismo que se abre ante o lector, un baleiro que fai da banda deseñada a linguaxe máis elíptica de cantas hoxe se utilizan. Unha historieta bem resolta é un miragre de síntese no que a meirande parte da historia nin se conta nin se ve, transcorrendo secreta, agachadamente, neses sucesivos baleiros. "

Na web de Miguelanxo Prado pode-se ler online Achegamento á Teórica da Caixa [link]--> secção De paso...




Abaladoiros do alén de Kiko Da Silva e A porta de Fran Bueno Capeáns completam a revista. Esta última é minha favorita, uma realidade estranha e inexplicável ambientada num meio cotidiano. Intimista mas angustiante. A história dum homem que alugou novo domicílio e vive o pesadelo da incerteza que produz uma habitação utilizada por seu arrendatário como desvão. Um ancoradouro de trastes velhos, ainda que o dono possa abrí-lo alguma vez adiante de seu inquilino, fechado à margem da realidade. Ele também fai voz desse outro mundo do lado da porta. Assim, depouco em pouco uma consistência inabitual apodera-se dela até encostar ao protagonista no fundo dum buraco de contrastes escuros e angulações angustiadoras. Não será uma autobiografia?
Só um número, e desapareceu. Elipse.

Título: Moncho Valcarce (Biografia breve de).
Roteiro: Irmandades Moncho Valcarce.
Desenhos: Fran Bueno.
Editorial: Deputação da Corunha.
Data de publicação: 2010.

[Caderno grampado (21x15), 8 páginas, colorido. Gratuito.]

Banda Desenhada biográfica distribuida de graça em bibliotecas e centros públicos. Um desses bons tebeos custosos de atopar passados uns anos. Tesouro de colecionadores!

Irmandade Moncho Valcarce []--> www.monchovalcarce.org

"Definida xa a súa opción ideolóxica nacionalista non tivo reparo en participar activamente na política, militando na AN-PG (Asemblea Nacional-Popular Galega) e participando nas primeiras eleccións dos comezos da democracia en 1977 como senador do BN-PG (Bloque Nacional-Popular Galego)."


segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

A paranóia natural com quadrinhos.

Título: Ú, la Grieta Móvil. Historias del Norte profundo.
Roteiro e desenhos: Garcés.
Editora: Norma Editorial, coleção CIMOC Extracolor (nº 73).

Data de publicação: 1991.


[Álbum colorido (29x22), capa mole, 48 páginas. Texto de Miquel Barcelo.]

Eu tive a fortuna e graça de escutar ao vivo alguns desenhistas dizer que o desenho é sua verdadeira linguagem. Instantes fantásticos, puramente fictícios, duma realidade nunca esboçada e provavelmente incomunicável. Não é defeito, não é erro, simplesmente é, e não deixa de ser nunca, imaginação. O trailer de imagens exclusivo desses homens e mulheres que são desenhistas.
Como não-desenhista, só posso reconhecer essa verdade desenvolvendo uma fé especial. Um tipo de fé que tome a ficção como o único projeto de realidade possível. No entanto, durante o tempo que permanece-mos cegos na incerteza da faina fantástica do desenhista, ainda somos capazes de projetar uma dúvida sobre as regras (ou as não-regras) que regem essa realidade incomunicável, uma confluência de interrogações que qualquer não-desenhista se proporá antes de abraçar a fé no projeto fictício das histórias em quadrinhos:

Qual é o setting (a situação, o contexto) dessa linguagem misteriosa?

Eu não tenho uma resposta -sou um pagão, um não-desenhista,-. Mas creio que o desenho como linguagem social deve possuir diferentes graus de simpatia, desconfiança e egoismo interior afastados de qualquer esquema de normalidade que o conectariam com os leitores criando uma estructura contextual entre desenhista e leitor. Uma estrutura misteriosa à semelhanza dos processos de pidginizaçao e criolhização. Fora disso eu não entendo o porquê eu merquei este tebeo aos treze anos.
Creio que saí da livraria com Ú, la Grieta Móvil porque a ilustração da capa representava um personagem translúcido, um aerostato inimaginável e um grupo de figuras ascendendo território montanhoso. Esses detalhes somados à calidez azul do ar, os diminutos dragões-lança e o revelador espelho dum ser endentado na cabeça dum robô. Tudo do melhor da ciência ficção, suponho. Eu não são muito entendido.
Imagina um mundo com uma colossal muralha geológica separando umas terras altas e um norte profundo. Uma grande serra aberta como uma falha que se está a estreitar numa transformação cíclica até impedir toda comunicação entre um e outro lado do mundo. Ainda existe uma greta nessa muralha, Ú, a greta móvel. E roubei um documento com sua exata localização, clica na imagem para conhecê-la enquanto eu descubro o que vou escrever depois desta frase. Isso vai demorar...
Há uma perfeita continuidade na greta e jamais se saberá se a muralha é uma separação, uma divisão, ou a tampa duma prensa que contém um mundo dentro doutro mundo. Volta a olhar para o mapa! O Norte é líquido.
Em alguma cousa eu acertei, Ú é um tampo. Um pedaço de pele da Terra virginal, o hímem dessa outra terra além das alturas que chamam Norte profundo. Os reinos do paradoxo e a paranoia comportam un movimento idéntico em ambos territórios. E o vento move o imperfeito, o errático, e o mal e o bem. É por isso que os arqueos, as pequenas mas velozes silhuetas de dragões antigos, se beneficiaram da radiação prosperando nas Terras altas enquanto se extinguiam no Norte. As coisas da terra são suas, eles apenas o brinquedo sanguento dos súbditos da grande sombra Sir ∞. Pesse a iso, existe certo consenso em que os laboratórios do mal também acostumam ser lugares divertidos; têm ali um diretor geral, uma eiruga morada com três bocas chamada Sir ².
O que está para ocorrer? A música, un disco de ópera, que por sorte não escachou, salvará da morte a Vander Fripp. A música... Ot Seag, Blob e Tain, e Vander Fripp terão que escapar atravessando os céus infestados de engenhos bélicos semelhantes as pandorgas e papagaios mas letais como centos ou milhares de minas submarinas. O bom senhor, o malvado diabo. Existem planos para todos os assuntos num e outro lado da muralha. Mas será junto a greta no mar onde escutaremos a última sereia. Ou a música, ou o disco...


Um universo de refugos e desperdícios, de maquinarias impossíveis, onde as tecnologias químicas e genéticas fazem parte de ritos religiosos de renovação convertem a esta HQ numa das histórias de ciência ficção mais maravilhosas. O maravilhoso. Talvez toda a extensão desta palavra? Eu não sou muito entendido nestes estudos sobre a degradação do meio.
No entanto Toni Garcés, roteirista e desenhista das Historias del Norte profundo, parece um grande conhecedor da ecologia humana, um criador de ambientes que sobrevivem ao comum inventariado das condições de vida mais usuais. De fato, suas histórias também parecem mundos naturais constru¡dois à deriva entre a simplificação e a complexização; um enfoque renovado da ciência ficção de especial interesse para os leitores que apreciam aos fabulistas do apocalipse. Pois suas imagens não são as dum profeta, senão as dum fabulador.

Quiçá essa foi a razão de que não tivéssemos mais histórias desse Norte líquido na revista em quadrinhos
Cimoc, os fabuladores não são gente exemplar. Quem sabe se algum dia voltaremos a ouvir essa dessordenada melodia...


Tirinha publicada no blog do desenhista [link]--> Bon VOY263
Tirinha inédita []-->
Centurifox


Museum [link]--> 6.11
Museum
[]--> Síndrome de Rorschard

Mr. Brain
(nº 1) []--> V345US
Mr. Brain
(nº 3) []--> Vertical
Mr. Brain
(nº 4) []--> Polén

Páginas inéditas (inacabadas) La Grieta Móvil II []--> 1 e 2

Trazos en el bloc
[]--> Recordando a Toni Garcés


Imakinarium Ui ar de Japis
[]--> Garcés