Assim devia ser a viagem?
Quero servir-me deste blog para aprender português e divertir-me enquanto recordo alguns velhos quadrinhos espanhois (algum atual). Seguramente logo de mil anos eu rirei com todos os absurdos gramaticais e erros ortográficos... "Terei um montão de post por corrigir!"
Perdoem os erros gramaticais, qualquer indecisão ortográfica, e assinalem essas faltas se dispusserem de tempo, obrigado!

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Um rato no pico do mundo.


Título: Solo. Mundo Caníbal.
Roteiro e desenhos: Oscar Martín.
Arte-final: Tony Fernández.
Editorial: Edicions de Ponent, coleção Solysombra.
Data de publicação: 2007.

[Volume recompilatório (17x24) da série autoeditada por OSCAR'S STUDIO em 1998, capa branda, 240 páginas, história em preto e branco, vários extras com cores (guias de personagens, esboços e páginas dum novo álbum colorido das aventuras de Solo). Inclue un CD com música da banda Fujiyama Kids inspirada no universo de Oscar Martín, esboços, protetores de tela e ilustraçoes.]

A contracapa desta edicição descreve o mundo da personagem de Oscar Martín, Quiçá seja verdadeiro que no passado os prados alimentavam preciosas ondas verdes oscidas por calidas brisas e que nuvens brancas arrostavam perfeitas sobre o azul limpo, inocente... ...que tinham seres místicas chamadas árvores, bosques, e que o solo se recobria de cores de embriagante aroma... Mas tudo isso, se alguma vez existiu, só é fábula. Uma passagem extraída da própia BD que conta a história da sobrevivência dum rato num mundo hostil e triste onde o céu e a terra se uniram para formar uma derradeira laje com os restos da civilização. Um deserto. E os desertos são os lugares de maior dispusta, um território privilegiado para a violência espacial . Mas, claro, também para qualquer mutação.
Solo publicou-se pela primeira vez nun formato tão ruim, auto-editado por seu criador como uma série de nove livretes grampados com capa fraca e papel reciclado, que era quase impossível nenhum leitor de quadrinhos acreditar no que estaba lendo. A grande epopeia oculta trás dum rato musculoso armado com machetes e revólveres semelhava uma cópia ou uma imitação doutros quadrinhos de temática pós-apocalíptica, uma história sufocante e desencorajadora como algumas das aventuras do Juiz Dredd, ou Lobo da DC Comics. Mas não era isso, ainda que a maior parte da aventura está dedicada à narração da viagem de Solo, Oscar Martín prioriza a descrição duma metáfora mais simple relacionada com as curta-metragens animadas. Assim, a típica história do trajeto iniciático doutros quadrinhos pós-apocalípticos integra-se numa bem desenvolvida criação mitológica construida ao redor do núcleo fantástico do engolimento e a assimilação alimentícia; o mesmo conjunto poético estudado por Gaston Bachelard, cuja expressão básica nos deparamos em qualquer desenho animado clássico.
A analogia evidentemente não aparece por acaso pois este autor foi premiado como roteirista e desenhista de Tom e Jerry com o Lifetime Achievement Award. Ademais dos desenhos de personagens Disney para distintas editoras europeias.

"O real do príncipio ao fim é um alimento"
Um mundo de terra morta, águas estancadas, pedras e sol, grandes dificuldades simbolizadas por montanhas desérticas, precipícios imóveis e desperdícios da antiga civilização humana. Depois da grande guerra e o cataclismo as espécies que tinham vivido junto com o homem e os animais selvagens mutaron, cresceram e se fizeram inteligentes. Cães, grandes gatos e felídeos, mustelídeos, porcos e uma multidão de bestas de grande tamanho e ainda maior ferocidade lutam pelo alimento numa escalada de sobrevivência onde todos eles são 'comestíveis'.
Solitários ou em clãs, os novos seres caçam, vivem e se reproduzem, até que também eles sejam caçados por outros num ciclo de morte contínua e dificuldades sem resolução. Excepto os humanos, quem pouco a pouco tentam reconstruir sua civilização, e seus males, mediante pequenas povoações fortificadas onde organizam um sistema de granjas para a criança de ratas como fonte de alimento.
Provavelmente a família de Solo esteja numa dessas granjas, é óbvio, a epopeia começa com a busca de sua companheira e seus filhos, mas cedo esse eixo da ação se desvia para situações terríveis e angustiantes. As mensagens escatológicas desenraizan-se do trascurso iniciático ao cair como a noite qualquer esperança ante as enormes dificuldades do resgate e a teimosa presença da morte. A perdida da identidade afunda ao protagonista com sonos nostágicos dum paraíso desconhecido, recobrando o sentido desa imagem invertida representada pelo mundo mutante no que a comunicação paradisíaca e primordial
entre animais e homens profetizada por religiões e mitologias realizou-se ao revés, como um grande desastre, a caída pós-apocalíptica.
A história torna-se mais íntima quando Solo encontra um cachorro de caõ (envolvido em harapos como uma borboleta ou uma múmia) e o rato converte-se em maestro. O mecanismo poético do engolimento intensificase durante o crescimento do cachorro com a aparição de grutas e grandes ogres teratológicos, enquanto o outro elemento encoberto da alimentação revela-se como a verdadeira fonte da realidade. Mas não a definitiva, pois Solo é um Jonas alimentado de rítmicas lembranças paradisíacas.
Tenho um grande apreço por esta BD, seu criador é mais inteligente do que eu posso apreciar; o corpo de símbolos que move e a construção do relato mítico são magníficos, tão excelentes que podem ficar camuflados como uma leitura fácil. Uma epopeia.


O merchandising de 1998: figuras, camisolas... ¡Incrível!










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mundocanibal.blogspot.com

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oscarmartin.net


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