Assim devia ser a viagem?
Quero servir-me deste blog para aprender português e divertir-me enquanto recordo alguns velhos quadrinhos espanhois (algum atual). Seguramente logo de mil anos eu rirei com todos os absurdos gramaticais e erros ortográficos... "Terei um montão de post por corrigir!"
Perdoem os erros gramaticais, qualquer indecisão ortográfica, e assinalem essas faltas se dispusserem de tempo, obrigado!

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Um tebeo de Roy Thomas.

Título: Carmilla.
Roteiro : Roy Thomas.
Desenhos: Rafael Fonteriz e Isaac M. del Rivero.
Editorial: Dude Comics, coleção Dude Gold.
Data de publicação: 1999.

[
Álbum 26x17, 60 pá
ginas, preto e branco, capa branda. Tradução de Jordi Juanmartí. Prólogo de Roy Thomas, texto sob à produção desta banda desenhada escrito por Jorge Iván Argiz, e um artigo de Germán Menéndez Flórez lembrando ao escritor Joseph Sheridan Le Fanu.]

Uma BD muito especial, por ser uma adaptação literária da obra de Joseph Sheridan Le Fanu. Também por ser 'El Tebeo' do lendário roteirista Roy Thomas, sua obra espanhola, já que foi criada a solicitação de Jorge Iván Argiz para a editorial Dude Comics, assim o afirma em seu prólogo Carmilla y otros vámpiros:

"Jorge Iván Argiz me pediu que criasse um par de novas séries para esta companhia espanhola, e eu pensei que poderia ser agradável. Como se me identifica principalmente com os superheró
is (para alguns, com os superheróis da II Guerra Mundial), criei ANTHEM... e, na linha de sword and sorcery, desenvolvi o conceito da GUERRA DO ANEL. E, sem pensar, enviei uma idea que tinha criado como uma adaptação e continuação da novela de mulheres vampiro da década de 1870: Carmilla que, é claro, adiantouse ao DRÁCULA de Bram Stocker em duas décadas.
Por fim, a Jorge lhe agradou mais CARMILLA que ANTHEM e A GUERRA DO ANEL, e de seguido conectou todos os mecanismos editoriais para produzir um quadrinho de Dude ..."


Na crónica dos sucessos editoriais foi uma colaboração insólita, mesmo se admitin
do seu humilde formato, eu a considero uma das melhores obras publicadas por Dude Comics. Ainda que jamais se completou o projeto inicial com uma série da personagem e diferentes desenhistas espanhóis, onde apareceria uma constelação de vampiros e seres extraordinários da literatura e a mitologia popular. Realmente, isto lhe daria trabalho por mais dez anos ao roteirista, já que no prólogo antecipa façanhas futuras e passadas, por exemplo, um encontro entre Carmilla e Drácula.

"Mal posso esperar o dia em que Carmilla se encontre com Drácula -por não contar todos os infames vampiros da história e a literatura-."

A história começa numa grande urbe moderna na que Carmilla deambula como se tivesse intervindo nalgum fato transcendente. Essa é a sensação que transmitem as duas primeiras páginas desenhadas por Rafael Fonteriz, uma esperança fundamental se rompeu e o mundo volta a ser sólido, as roupas da vampira aparecem destroçadas mas seus cabelos voam com o vento e ascendem. O clima e os edifícios, torres escuras e nuvens enfunadas como gorjas, comunicam o estado de morbidez que camufla a atitude da protagonista. Repousada, aparentemente desfalecida enquanto observa um mundo substancial. Uma rua estreita e curta.


Abaixo, numa das imagens de caça humana que oferece a urbe, Laura foge dum grupo de homens. Esta mulher é reconhecida pela Mulher, e a mãe terrível devora aos caçadores. Quando Laura acorda, longe daqueles homens, Carmilla lhe entrega um livro titulado... Carmilla.
"Tudo o que se pode saber, e tudo quanto precisas saber"

A arte de Isaac M. del Rivero reproduciuse diretamente do lápis nesta edição (no link que incluo no final deste post há melhores imagens) . Os detalhes e a ambientação detêm a evolução do presente transladando-nos à doce natureza do passado de Carmilla, que o escritor converteu em ficção; no final, uma adaptação ótima, a soma das vontades de roteirista e desenhista acertou com a coleção sugerida ou inconsciente de significações e temas da obra de Le Fanu. A beleza e a crueldade desta Carmilla de Isaac del Rivero refletem a clave que o escritor confiava à infância de Laura e a delicada depravación sexual que sublinha o mito da mulher vampiro.
Roy Thomas também não errou ao aplicar na evocação do encantamento vampírico algums dos melhores detalhes, a metáfora da maturidade feminina expulsada do gênero humano ao cair da transformação do verme em borboleta, asimilação animal que enlaça a mulher com o reino do inanimado, e a
intensificação aracnida da mulher caçadora, sedutora e sangrenta.
A narração supletiva do passado de Carmilla remata com o conhecido extermínio da virgem caçadora, regressamos ao presente e volta Fonteriz. Ainda há tempo para espargir mais sangue e assegurar a aliança que os homens jamais destruiran.
Excelente BD. Creio que o rosto de Roy Thomas é o do Barão Von Vonderburg, e entre as muitas histórias que o roteirista poderia ter escrito: o encontro de Carmilla e Sheridan Le Fanu, Carmilla e Dracula. O prólogo de Roy Thomas é excepcional, é impossível crer que as grandes editoras esqueceram Carmilla.


- Carmilla no blog do desenhista Rafael Fonteriz:
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