Assim devia ser a viagem?
Quero servir-me deste blog para aprender português e divertir-me enquanto recordo alguns velhos quadrinhos espanhois (algum atual). Seguramente logo de mil anos eu rirei com todos os absurdos gramaticais e erros ortográficos... "Terei um montão de post por corrigir!"
Perdoem os erros gramaticais, qualquer indecisão ortográfica, e assinalem essas faltas se dispusserem de tempo, obrigado!

domingo, 20 de setembro de 2009

A Galiza Lovecraftiana de José Gimeno.






Título: Profundo.
Roteiro e desenhos: José Gimeno.
Editorial: Dude Comics, coleção Dude Gold.
Data de publicação: 2002 (livro I) e 2003 (livro II).

[
Álbum 26x17, preto e branco (grises), 56 páginas, capa branda. Prólogo de Norman Fernández no livro II.]


A verdade é que resulta moi díficil atopar-mos histórias em quadrinhos de horror atualmente! Não me refiro à lista telefônica
das Obras completas de Steve Niles que uma facinorosa editorial espanhola publica para torturar aos leitores de banda desenhada. A produção de quadrinhos de horror declinou depois do desaparecimento das revistas de historietas, especialmente, as revistas da editorial Toutain (Josep Toutain foi uma figura fundamental na projeção internacional da Historieta espanhola como editor, agente de desenhistas e ilustradores, que trabalharam nas revistas norte-americanas Creepy, Vampirella ou Eerie durante os anos setenta e oitenta do século passado, inclusive depois do cancelamento daquelas publicações).
Eu mesmo, leitor mórbido desta classe de quadrinhos, não consigo comprar mais de dois ou três álbums cada ano, comummente, uma novidade, uma obra argentina, e a reedição dum quadrinista morto. No 2009 penso que merquei (links): revista monográfica Cthulhu, Waldemar Daninsky. El origen de la maldición e Visiones (publicada no 2008).
Vai em meu nome, eu me desafoguei!
Da editora Dude Comics, se tenho alguma coisa que posso apontar é que foi uma de minhas favoritas. Talvez fora por iso que ela morreu? Sua ausência foi apenas uma espécie de auto-exílio já que seu editor e algum dos quadrinistas relacionados com Dude hoje publicam algumas de suas obras na coleção Siurrell (um selo editorial da empresa Dolmen). É o que se conhece como 'cómic popular' ou 'cómic de gênero' na Espanha quando se tenta contrapopor ao 'cómic independente'. Mas não perguntem, eu ainda não aprendi a distinguí-los facilmente.
Uma última nota a respeito desta editorial, que conseguira ir mais além da vision turva das licenças extranjeiras de quadrinhos,
eles trabalharam com um famoso roteirista. Um dos mais entusiastas membros do fandom da Silver Age que chegariam a incorporar-se à criação dos quadrinhos de superhéroes chamado... Serás capaz de atopar seu nome na listagem de quadrinhos da Dude Comics? [link]--> Guía del cómic

Profundo
comeza com uma imersão noturna na que o protagonista é franqueado por duas criaturas semi-humanas. Um sonho de comunhão macrocósmica cuja
sonoridade inquietante remata sendo experimentada como uma visão terrível pelo sonhador ao acordar de súpito no interior do templo ante seu reflexo. Uma fidedigna representação onírica do complexo da ligadura enfrentada com repugnância na realidade diurna. A invasião do inconsciente, da pele escamosa. Tal que se fosse um dos contos de Lovecraft, pois esta é uma das melhores histórias aos quadradinhos baseados nas creaçoes fantásticas do escritor de Providence que eu li até agora.
Na ambientação e o fascínio de tudo o que rodeia aos personagens é essencial o lugar. À procura do medo, José Gimeno situa a narração em seu próprio país unindo as velhas pedras de Galiza aos fragmentos da memória familiar do professor universitário Alex Lenoir. Vítima de uma maldita doença pela que seu médico, o doutor Areces, parece ter um interesse especial. De fato, quando Alex se põe em caminho junto com Noemí e Pablo na procura da tranqüilidade e o mar que lhe reclamam, o doutor decidirá atuar mais libremente utilizando ums assasinos para manter vigiado ao seu paciente. Uma ação que precipitará a assunção da herança secreta de Alex Lenoir; a couraça do monstro, a redondez plena do recinto oculto sob a casa dum povo que já não existe, um lugar "composto de ruinas e pantasmas sem futuro", como foram ou deveram ser noutra época, como ainda poderiam seguir sendo. Pois as costas da Galiza e as casas antigas de Loira... Loira, um espaço de quietude interior fundado arquetípicamente contra o mar e o mundo moderno.
Casualmente José Gimeno nasceu na mesma cidade na que eu morei, o bairro de Monte alto da Corunha no que hoje a vizinhança, especialmente os mais velhos, sofrem as ameaças e o acosso urbanístico de construtores e poderes públicos. Não posso imaginar um lugar mais apropriado para recordar esta banda desenhada lovecraftiana, cerca do mar, junto à turística Torre de Hércules e o cárcere provincial.


O desenhista []--> José Gimeno
Cinema gore trash na costa da Galiza, blog Cinema Tortura de Welber Lucas Silva []--> Dagon