Assim devia ser a viagem?
Quero servir-me deste blog para aprender português e divertir-me enquanto recordo alguns velhos quadrinhos espanhois (algum atual). Seguramente logo de mil anos eu rirei com todos os absurdos gramaticais e erros ortográficos... "Terei um montão de post por corrigir!"
Perdoem os erros gramaticais, qualquer indecisão ortográfica, e assinalem essas faltas se dispusserem de tempo, obrigado!

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Doctor Vertigo e a doutrina mórbida

Título: Doctor Vertigo.
Roteiro e desenhos: Martí.
Editorial: Ediciones La Cúpula.
Data de publicação: 1989.

[
Álbum 28x22, 56 pá
ginas, preto e branco, capa branda. Publicada previamente na revista El Víbora de Ediciones La Cúpula. Prêmio Mejor álbum del año - Salón del Cómic de Barcelona 1990]

Segundo dados de uma enquisa de opinião publicada em El Víbora no ano 1989 Doctor Vertigo era uma das histórias favoritas entre os leitores da mítica revista de banda desenhada, e este personagem um dos mais populares competindo com Fat Freddy´s Cat de Shelton e Sarita de Pons, Galiano e Marta. Ainda que atualmente não exista uma pesquisa que o constate, Martí permanece um dos autores mais reivindicados pelos leitores, críticos, editores e artistas dos quadrinhos. E não unicamente por participar como um dos principais desenhistas nos inícios da revista mais longeva do underground espanhol (1979-2005), senão pela atmosfera, os rasgos psicológicos de seus personagens e a luz de suas histórias. Onde as paisagens urbanas, o ambiente contemporâneo e a coerência entre o contraste dramático do crime e os diferentes graus de adaptação ou desadaptacão social se desenvolvem enfrentandose dramaticamente mediante situações que documentam a angústia e a morbidez do corpo social.
Nesta história em quadrinhos se encadeiam imagens como numa peripécia novelesca, quase conformando o palco da marcrorúbrica de uma obra de teatro com que representar a situação vital de uma mulher casada e sem filhos. Alicia, dona de casa cuja única evidência de sua própia realidade a constitui o vínculo social estabelecido com seu marido Luciano mediante a cerimônia do casamento. Um argumento realista coreografiado pelo autor a partir da intriga provocada por uma provável aventura extramatrimonial de Luciano e a depressão crônica de Alicia que a induzirá à ingestão sem control de antidepressivos e a cair no poder do Profesor Trauman, um acólito da psiquiatria do sintoma e a culpabilidade, que anulará a personalidade de Alicia para explodíla sexualmente.
A organização e combinação de bens de consumo como detergentes e eletrodomésticos junto a outros objectos
(retratos, cruzes...) utilizados a modo de emblemas ou também como elementos alegóricos e, inclusive, como símbolos plenos, unidos à experiência social ou individual da memória dispõem simultaneamente o contexto sociocultural e o confronto entre a distinta extensão perceptiva das personagens e o tempo subjectivo da narração alheo ao espaço físico, que se adequa à geografia lendária do mito familiar da imagem redobrada dos pais. Um desafio dramático que se translada ao domínio da mente quando o Doctor Vertigo aparece para resgatar à protagonista dos abusos psíquicos dos agentes sociais (a moda, os progenitores, o Profesor Trauman) . O super-psiquiatra se sumerge no sonho de Alicia descubrindo uma mente impregnada de consignas religiosas e tratando de desvelar a autêntica causa do mistério da depressão à medida que supera as barreiras sexuais e as intoxicações que o professor Trauman enxertara na psique de sua nova paciente.




Se alguém encontra este velho álbum... Trata-se dum desses quadrinhos que deveriam publicar-se em todos os países. Não é casualidade que Martí dedicará este álbum ao psiquiatra Carlos Castilla del Pino 'el Psiquiatra rojo' (e uma citação de John Lennon, "Nada é real").






Fundación Carlos Castilla del Pino

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