Assim devia ser a viagem?
Quero servir-me deste blog para aprender português e divertir-me enquanto recordo alguns velhos quadrinhos espanhois (algum atual). Seguramente logo de mil anos eu rirei com todos os absurdos gramaticais e erros ortográficos... "Terei um montão de post por corrigir!"
Perdoem os erros gramaticais, qualquer indecisão ortográfica, e assinalem essas faltas se dispusserem de tempo, obrigado!

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Portas e sonhos.

Título: La enfermedad del sueño.
Roteiro e desenhos: José María Beroy.
Editorial: Toutaim Editor.
Data de publicação: 1988.

[
Álbum 27x20, 56 pá
ginas, preto e branco e cor, capa branda.]

Outra das jóias da editorial Toutain, não inclui um sketchbook nem um prólogo ou uma entrevista mas é uma edição especial. Esta BD possui um caráter parábolico, foi transformada em álbum adicionando páginas em preto e branco a várias historietas a cor que previamente se publicaram na revista de histórias em quadrinhos Zona 84. O resultado é uma obra unitária que toma como base a alegoria social e a tripartición cósmica, onírica e poética da expressão simbólica, uma estrutura solenoide singela e sofisticada. Um labirinto, um espaço imaginário, subjetivo, humano e pessoal, na encruzilhada de sensações e idéias entre o normal e o patológico.

Pequeno teatro de espelhos (especulação).


De noite, em meu leito, busquei aquele a quem ama a minha alma; busquei-o, porém não o achei.
Levantar-me-ei, pois, e rodearei a cidade; pelas ruas e pelas praças buscarei aquele a quem ama a minha alma. Busquei-o, porém não o achei.
Encontraram-me os guardas que rondavam pela cidade; eu lhes perguntei: Vistes, porventura, aquele a quem ama a minha alma?

Cântico dos cânticos 3,1


Romantismo e morbidez são as características com as que eu construía a imagem deste
desenhista quando lia seus quadradinhos, sempre entregados à representação de figuras simbólicas limpas de claves culturais clássicas, por tanto, bem mais indirectas, que não negam nem afirmam um único hipotético significado real. Em La enfermedad del sueño as vias de penetração à mente de Beroy são Poe, Lovecraft, ou Ramón Llull, estes criadores motivam e servem de veículo à própria história ainda que sua importância, como qualquer outra clave, é reconducir a sua vez a atracção e a rejeição que imprime a linguagem íntima do desenhista e o leitor. O encontro ativo deste último com o desconhecido autor.
A internet facilita exemplos dessa impressão positiva, essa fotografia surreal, mas significativa, que um desenhista produz em seus leitores: podem ser citações literárias [link], música [link] ou perigosos delírios [link]. É
inesgotável.
No princípio, ainda sem explicação, assistimos à luta do personagem principal contra o sonho até sua derrota. Definitiva? Depois de acordar num espaço existencial onde, junto à perspectiva, o aspecto da profundiad adquiriu um caráter fantástico, e alguns livros e folhas de papel voam sobre o solo de um tabuleiro de xadrez frente a um número inconcreto de portas idênticas, perguntase se sonha ou não, se é vítima da doença. A doença do sonho que refere o título desta BD. Na verdade, o problema definitivo que empurra à busca de uma saída desse espaço, questionar até o final as sensações do sonho; com a desvantagem frente ao plano do real de permanecer imerso na dissolução do tempo, atrapado ante a contemplação da brilhante comitiva de intermináveis sonhos, em palavras de Wordsworth. Este é o argumento que adere as histórias curtas entre si e manipula (em preto e branco) o plano do sonho e o mundo real, a queda no inconsciente, ao mesmo tempo refúgio e temível prisão, que enfatiza a realidade/irrealidade da morte e a existência/inexistência dos personagens. Um tema reforçado no encontro do protagonista com sua infância, o instante de alguma recordação que anula a percepção temporária para enfatizar a solidão, a preexistência de um ser anterior, oculto num lugar que permanece esquecido. Do que Beroy escolhe como símbolo o livro secreto, um esquema romântico que atrai ao que os escritores do movimento aleman denominaram o poeta escondido, esquivo, inaprensible espírito que joga ao engano mas é portador da verdade fundamental. Figura ambígua, cômica e transcendental, doppelgänger signado com o óleo de Jano.
Poderia sobrepor referentes românticos a cada imagem deste tebeo: encontro Sol/Lua, Hermafrodita, Ptah, Caos, enstasis final, sombras, paraísos... Em resumo, o Romantismo em tebeo e a fragilidade do mundo fenoménico e da alma. Mas o aspecto mais relevante quiçá é a cadência musical, a continuidade e regressão das passagens de uma visão a outra fundindose na subjetivaçou do protagonista. Seu amor, a mulher como mediadora entre realidades, autêntico anjo com o poder de mudar a morte e acordar ao amado dentro do sonho.
Eu sou do meu amado, e o seu amor é por mim.

Cântico dos cânticos 7,10

Creio que não li um quadrinho espanhol igual, com o que se declare, mediante as histórias a cor que representam paraísos e infernos, sonhos em sociedade, a capacidade de 'retorno'. A vida, atingir o domínio da vida imaginando sempre o mais negro destino. Uma nota genial, um exemplo, é utilizar a cavidade formada sob uns foguetes espaciais como imagem do símbolo da gruta (morada) e um
cemitério marinho de catastrofes aeroespaciais como paraíso. As portas, Bachelard... um tebeo como uma espiral inabarcável.
Todos os tebeos deste desenhista compartilham a garantia de possuir imagens reminiscentes. Um seguro de vida, além de qualquer argumento ou história. Se desenhasse quadrinhos dos Transformers, não seriam simples histórias dos Transformers senão histórias dos Transformers de Beroy.
Links:
- 999 e 999
- HQ postada: beroyblog
- UI AR DE JAPIS
- Aliénation ZOO Sanglante Chicago
- Blog do roteirista Kid Toussaint
- Jornadas del cómic de Avilés

{} Não conheço o romantismo português e brasileiro, procuro informação: Cultura obscura!? Spectrumgothic

Título: Pop español.
Roteiros e desenhos: Beroy, Jaime Martín, Garcés, Das Pastoras, Miguelanxo Prado, Fernando de Felipe, Vaquer, Azágra, Carlos Pacheco, Miguel Angel Martín, Keko, Ana Miralles, Pascual Ferry, Gallardo, Víctor Aparicio, Pere Joan, Federico del Barrio, Tha, Montana, Incha, Max.
Editorial: Editorial Casset, coleção Acordes y viñetas .
Data da publicação:
1991.

[Versões em quadrinhos de canções espanholas, o formato quadrado do álbum facilitava a inclusão de uma coluna biográfica * do autor e os músicos (29x29, capa dura, 48 páginas, cor): Os Resentidos, Gabinete Caligari, Rosendo, Rebeldes, Esplendor Geométrico, La Polla Records, Malevaje, Los Coyotes, Los Elegantes, Antonio Vega, Radio Futura, Los Secretos, Duncan Dhu, Esclarecidos, 091, Desperados, Ilegales, Malevaje, Ciudad jardín, Presuntos implicados, Mecano. Prólogo de Antonio Manrique e textos de Javier Parra, Francisco Naranjo, Miguel Angel Álvarez e Jesús Cuadrado.]

Banda desenhada e música. Eu considero este álbum um objeto bem raro mas não especial, ainda é fácil mercalo: a historieta de Das Pastoras foi publicada em alguma revista e a de Max num de seus álbums. Creio que todos os desenhistas publicaram quadrinhos em outros países, ainda que também foi o único número da coleção Acordes e viñetas.
Links:

- Artigo do jornal El País do ano 1991
- A historieta completa de Beroy neste livro coletivo

José María Beroy [La autoradio canta]--> "Hace tiempo trabajé con Joan Lluís Arruga y su productora haciendo un poco de todo. Entre otras cosas, todos los dibujos para este video clip. Ganó un premio Ondas y un Laus."

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