Assim devia ser a viagem?
Quero servir-me deste blog para aprender português e divertir-me enquanto recordo alguns velhos quadrinhos espanhois (algum atual). Seguramente logo de mil anos eu rirei com todos os absurdos gramaticais e erros ortográficos... "Terei um montão de post por corrigir!"
Perdoem os erros gramaticais, qualquer indecisão ortográfica, e assinalem essas faltas se dispusserem de tempo, obrigado!

quinta-feira, 12 de março de 2009

Giménez, ave e alma: Koolau.

Título: Koolau el leproso.
Desenhos e roteiro:
Carlos Giménez (Koolau the leeper, Jack London).

Data de publicação: 1980 (
1979, na revista histórias em quadrinhos Totem).
Editorial: Ediciones de la Torre, coleção Papel Vivo.

[Álbum, capa branda, 30x22, 47 páginas, preto e branco. Introdução de Josep Toutain, o artigo de Manuel G. Quintana 'London, Giménez e Koolau', e um fragmento de um artigo de Toni Segarra (revista de histórias em quadrinhos Totem). Também, uma caricatura de Giménez desenhada por Alberto Breccia e um resumo biográfico do quadrinhista espanhol.]

Imprescindível em qualquer língua. Gosto deste álbum quase tanto quanto do que Rambla arriba, Rambla abajo...!
Com roteiro do próprio dese
nhista, uma adaptação do conto de Jack London, que Carlos Giménez realizou sem encomenda editorial prévia. Ainda hoje esse dado é muito importante, eu sou demasiado jovem mas se tem escrito sobre o esforço e o risco que supunha criar quadrinhos/bandas desenhadas autorais na Espanha durante aqueles anos: Koolau el leproso (1979), a peregrinagem editorial da publicação do primeiro Paracuellos (1976), ou o sucesso de crítica, fracasso comercial, Hom (1975). Incluindo as historietas de atualidade política publicadas na revista El Papus -hoje, no catálogo de Glenat da Espanha- e seus trabalhos para o Partido Comunista de Catalunha; encontrei na web do autor a entrevista realizada por Antonio Trashorras e David Muñoz em seu fanzine U. El hijo de Urich--> link. []Nela falam da inclusão de Giménez nas listas negras de artistas perigosos que criaram os homens do golpe de estado do 23 de fevereiro de 1981[]

Não sei se foi a primeira história deste desenhista que eu li, mas sim foi o primeiro álbum. Comprei Koolau numa livraria e não numa loja especializada nem nas bancas de jornais e revistas, é curioso (duvido), creio que Ediciones de la Torre não vendia suas BD/HQs nas lojas especializadas.
É minha opinião -irracional, demasiado próxima ao meu gosto pela antroposofía-, eu nunca desfrutei o conto de Jack London. Porém, a obra de Carlos Giménez adiciona um material mais precioso ao argumento original e a transposição para os quadrinhos finaliza como uma esfera paralela a seu germe literário. Assim, a profundidade de campo dos planos adicionam força à perseguição dos soldados até convertê-la numa trajetória vertiginosa, extensa, na que o silêncio da paisagem rochosa ocupa os elementos de angústia e o esforço supremo da fugida dos leprosos. Esforço supremo, já que nesse clima de horror por livrar-se da presença monstruosa da morte, a morte dos colegas enfermos, a morte que personifican os soldados do 'homem branco', Koolau interpõe obstáculos cada vez maiores ainda que inúteis. Ou quiçá não? Pois, ainda que Koolau morre, o homem branco não chega a atingir-lhe nem a condenar-lhe ao leprosário de Molokai onde serão enclausurados seus colegas.
A transcendência da liberdade em Koolau não é uma expressão de poesia inútil. Giménez supera o argumento da valorização humana das sociedades tradicionais num confronto moderno entre opressores e oprimidos do conto de London, sua manifestação comum dums valores adscritos à natureza do indivíduo frente a uma tensão ou acontecimento histórico, e essa acção exemplar que o quadrinhista adiciona é a nostalgia concreta da liberdade, sua raiz fundamental: o vôo do alma. Un mundo agridoce, brutal e instigante, de primeiros planos, detalhes e rostos, nos que resurge um conjunto simbólico universal mas em aparência particular. A recordação fantástica dum paraiso perdido (passado paradisíaco) eficazmente representado mediante a ruptura de planos e a conversão dos personagens enfermos e perseguidos, os leprosos, em presenças fantasmais pelos contrastes entre o preto e o branco.
Sou louco por pensar assim!, o que se entendem por defeitos ou enfeites de ternura inconsolável desta obra (as visões ou recordações do Koolau), eu os vejo como o sinal distintivo mais importante. Uma assinatura que enlaça quadradinhos/quadrinhos, mitologia e folclore: Giménez, ave e alma. Koolau.
[Fracassei.... Sinopse?]

- Koolau el leproso no blog: link--> Cómics en extinción
- Link--> web de Carlos Giménez
- Link--> La Biblioteca de Thule
- Paracuellos no Graphiq Brasil, link--> na seção Minhas HQ´s favoritas
- Deskartes Mil, link--> Ray 25
- Tuguinhas: blog de los sueños, de la realidad, de los desastres... de dos chicas portuguesas en España--> Paracuellos
- Ergocomics--> entrevista a Carlos Giménez
- Blog Universo HQ--> Dani Futuro
- Arte FREE em São Paulo--> As histórias em quadrinhos da Democracia Espanhola –Instituto Cervantes - 07/07/06

Um comentário:

refemdabd disse...

O teu blog é um espectáculo!
"Koolau o Leproso" também editado em Português pela Editora Bertrand, na colecção "preto&branco".

Dani Futuro, adorei a referência. Lia esta série quando ainda era miúdo. Um Buck Rogers muito mais verosímil. Eu, na altura, sonhava em vir a ser o Dani, confesso, hehehe. Grande Vítor Mora.

Espanha e América Latina são minas de diamantes (artistas) com nomes Espanhóis. Devorava todas as Totem que agarrava (e outras, como a Cimoc, a Zona24, Boomerang, Comix...meu Deus, tanta qualidade editorial, que saudades). Nem dormia, cada vez que os meus Pais me diziam que iamos ao Alentejo; punha-me a fazer contas aos Kms do sítio aonde íamos até Badajós.