Assim devia ser a viagem?
Quero servir-me deste blog para aprender português e divertir-me enquanto recordo alguns velhos quadrinhos espanhois (algum atual). Seguramente logo de mil anos eu rirei com todos os absurdos gramaticais e erros ortográficos... "Terei um montão de post por corrigir!"
Perdoem os erros gramaticais, qualquer indecisão ortográfica, e assinalem essas faltas se dispusserem de tempo, obrigado!

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Coreografia urbana em quadrinhos.

Título: Rambla arriba, Rambla abajo...
Roteiro e desenhos:
Carlos Giménez.

Editorial:
Ediciones de la Torre, coleção Papel Vivo.

Data de publicação: 1986.


[Capa branda, 80 páginas, 30x22, com prólogo do escritor Manuel Vázquez Montalbán e um resumo biográfico do desenhista escrito por Ana Salado. (Publicada anteriormente na revista de histórias em quadrinhos/banda desenhada Comix Internacional)]

Rambla arriba, Rambla abajo...
é meu álbum favorito do desenhista Carlos Giménez. Quiçá (eu crio) seja uma das histórias em quadrinhos /bandas desenhadas pioneiras na utilização da dinâmica cultural de uma cidade, as ações do universo das ruas, a dramática do lazer e o trabalho unida aos espaços urbanos, na caracterização dos valores de sua sociedade: a Espanha dos anos sessenta na que trabalhavam os desenhistas da agência Seleciones Ilustradas.
Esta é a opinião de um leitor por gosto, o Will Eisner nunca criou uma história na que seu argumento se desenvolvesse como uma corrente de acontecimentos, um collage de movimentos no que as surpresas imprevistas e as impressões detalhe incrementassem e superassem a sucessão de atitudes e gestos dos protagonistas em guia para o seu argumento principal.Nesta BD/HQ a paisagem como itinerário de uma cidade espetáculo é o autêntico protagonista, o argumento que absorve a memória afetiva dos personagens. Se Eisner compunha retratos dramáticos e seqüências de caminhadas de personages que transmitem crises, desprezo ou violência, em Um contrato com Deus ou as histórias compiladas em New York: Life in the big city, Giménez demonstra ser bem mais moderno ao adicionar a essas caracterizações típicas da vida nas grandes urbes o contexto sensorial e poético da itinerancia: as interações sociais observadas por si mesmas como fonte de conhecimento e não como o simples efeitos/causas de qualquer conflito. A explicação de um louco seria o dizer que com Eisner fomos a um auditório teatral ou à exibição de um clasico do cinema de Hollywood e com Carlos Giménez ao filme de um etnógrafo francês que enquanto rodava seu documentário se transformou em poeta.
Rambla arriba, Rambla abajo... pertence à série autobiográfica Los Profesionales, onde Giménez recolhe o melhor dos episódios côm
icos e sentimentais dum grupo de grandes desenhistas de uma agência tão real como os próprios protagonistas daquelas histórias.
A culminação dessas histórias curtas que começaram como o retrato paródico de uma geração de autores da Historieta espanhola e sua época, nas que ficam desenhadas suas esperanças e suas ilusões como artistas e habitantes de um país que sofre um enorme atraso por causa da ditadura franquista.
O passo de Carlines através das Ramblas -o famoso passeio da cidade de Barcelona- e seus breves encontros com outros transeuntes ou objetos comuns de seu meio em situações sempre cotidianas terminam definindo a atitude e o significado final de todos os aspectos da série, primeiro no profissional e artístico junto a seu colega Adolfo, depois no humano com uma aventura amorosa, e no social quando Carlines fala (e caminha) junto a uma ativista anti-franquista. O humor, o fracasso terno e a justiça.
Ainda um Mistério:
Como foi possível que uma série de histórias curtas e paródicas transformasse neste 'álbum poético e urbano'? Só imagino o cinema e as filmagens do ondulante trânsito urbano pelas cidades européias.
Existe um filme titulado Barcelona o ritmo de um dia que comparo as vezes com Rambla arriba, rambla abajo..., apesar da mensagem anti-urbana desse filme e de ser muito anterior a sua época, ler esta obra de Carlos Giménez é passear rapida, sem recordações, num transe. Um não sabe que lê uma BD/HQ até que chega a final!

Barcelona o ritmo de un día
(1939)
[Existem melhores filmes para essa comparação, mas eu não os conheço.]

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