Assim devia ser a viagem?
Quero servir-me deste blog para aprender português e divertir-me enquanto recordo alguns velhos quadrinhos espanhois (algum atual). Seguramente logo de mil anos eu rirei com todos os absurdos gramaticais e erros ortográficos... "Terei um montão de post por corrigir!"
Perdoem os erros gramaticais, qualquer indecisão ortográfica, e assinalem essas faltas se dispusserem de tempo, obrigado!

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

O livro do underground espanhol.

Título: El cómic underground español, 1970-1980.
Autor: Pablo Dopico.
Editorial: Ediciones Cátedra, coleção Cuadernos Arte.
Data de publicação: 2005.
[Capa branda, 11x18, 440 páginas.]

É uma tarefa árdua para um leitor aceder a informação sobre a história dos quadrinhos espanhóis, mas trabalhar como pesquisador dos quadrinhos e ademais publicar suas investigações deve ser quase impossível. Meu cérebro não foi melhorado pelo que não posso imaginar a variedade de estratégias empregadas pelos críticos e estudiosos espanhóis para conseguires publicar seus livros. Uma pequena quantidade de livros, ainda que a maioria sempre ficam úteis.
Eu sou um desses leitores que len todo tipo de gêneros e histórias em quadrinhos. Procuro tebeos velhos mas para encontrá-los é necessário conhecer seus títulos, seus desenhistas, quem os editou... El cómic underground español, 1970-1980 de Pablo Dopico é o melhor livro dedicado exclusivamente à Historieta espanhola underground dos que eu li pela grande quantidade de dados e referências que recolhe.
Ilustrado com páginas de historietas e portadas de revistas e álbums, este livro resume as origens do underground espanhol na imprensa marginal até sua 'vitória comercial' nas revistas de histórias em quadrinhos como El Víbora ou Besame Mucho. A descrição do momento histórico e os processos políticos em Espanha e os ambientes nos que viviam os jovenes autores deses tebeos underground são descritos com detalhe por Pablo Dopico e ajudam aos leitores: exemplos da censura imposta pelo estado e a sociedade, a marginalidade e as ainda novas formas de vida dum setor daquela juventude, as influências da literatura e a música nas obras dos desenhistas underground. Autores como Nazario, Mariscal, Max ou Ceesepe e coletivos como Butifarra! e Rrollo compartilham página junto com revistas e lugares míticos como Star e o mercado do Rastro madrilenho.
Singelo mas rigoroso, meu capítulo preferido dos seis que formam o livro é o titulado Rock Comix e outras histórias musicais, onde se relata o trabalho deste selo editorial junto a alguns episódios de censura.

Título: Rock Comix.
Editor: Gaspar Fraga (Luis Zanoleti no número zero).
Data de publicação: 1977.
Desenhos e roteiros: Equipo Felipe de Paz, Mariscal Pepicheck, Ceesepe, Carulla, Martí, Montesol, Onliyou, Pámies, Gallardo, Stav, Mediavilla, Nazario, Vives, Max, Roger.
[Revista de histórias em quadrinhos, catro números publicados e un número zero, capa branda, 24x34, 16 páginas grapadas.]

Uma revista de histórias em quadrinhos, segundo escreve Pablo Dopico se publicou numa segunda etapa ao termo da publicação de uma sèrie de monografias nas que se incluíam quadrinhos junto a artigos teóricos sobre bandas de rock (Frank Zappa, Deep Purple, Lou Reed...). Os primeiros números ainda incluem alguns conteúdos relacionados com a música rock, Hqs de Pámies, Nazario e Carulla no zero e a entrevista com músicos numa estaçaõ metro do número um. O segundo número é uma fotonovela e a portada do terceiro número a fotografei (também publicaram duas revistas especiais com as aventuras de Harold Hedd, de Rand H. Holmes).
Além das análises sociológicas e seu valor como documento histórico -eu só sou um colecionador de quadrinhos, recordem-, o leitor jogará com as diferenças entre estas histórias e outras posteriores destes desenhistas: Martí, Nazario, Max, Gallardo, Roger, Carulla ou Ceesepe.
O quarto número é um quadrinho de Ceesepe titulado El trapecista, vinte páginas nas que o desenhista apercebe às personagens para que finalize a acção pela falta de espaço. Violência, drogas e movimento poético misturanse sem dissimulação pelos espaços que separam ao autor (Ceesepe) e seus personagens. O delírio é compartilhado e o leitor participará dele.

Links:

- Ceesepe

- Ceesepe no blog de Javier Reguera.
- Artigo de Antonio Martín na web Tebeosfera, El Rrollo enmascarado.
- Antonio Martín (Tebeosfera), revista El Víbora.
- Harold Hedd no blog Treasury Comic.

2 comentários:

Geraldes Lino disse...

Caro confrade bloguista Ismael Fancito:
Considero extraordinário o facto de haver alguém a querer aprender uma língua (para o caso, a portuguesa), através de um blogue, onde se esforça (com bons resultados), por escrever todos os "posts" em português.
Claro que lhe detectei alguns erros,não graves, além de por vezes misturar o português de Portugal com o português do Brasil ou, por outras palavras, com a "variante brasileira" (onde existem algumas diferenças.
Por exemplo: em Portugal, até aos anos sessenta do século passado, usava-se a expressão "Histórias aos Quadradinhos", ou "Histórias em Quadradinhos", qualquer delas simplificada para "Quadradinhos" ("gosto muito de escrever sobre quadradinhos") enquanto os brasileiros usam, ainda hoje, a expressão, bastante semelhante, "Histórias em Quadrinhos" (que também simplificam para "Quadrinhos", quando dizem, por exemplo. "os quadrinhos brasileiros") além de também usarem a expressão "gibis" (até têm "gibitecas").
Entretanto, nós, no português de Portugal, passámos a dizer e a escrever, maioritariamente, "Banda Desenhada" ou "bandas desenhadas", no plural, por influência da língua francesa: "Bande Dessinée" e "bandes dessinées".
Nota: Todavia, há portugueses que preferem continuar a dizer "Histórias aos Quadradinhos", por acharem mais tradicional e mais bonito, como acontece com o meu amigo Rezendes Costa, do blogue "Mania dos Quadradinhos", que o confrade Ismael Fancito incluiu na lista dos seus favoritos.
Gostaria que visitasse o meu blogue "Divulgando Banda Desenhada", no endereço http://divulgandobd.blogspot.com
onde, na listagem de "Categorias", no item "Blogues e sítios estrangeiros de Banda Desenhada - De A a Z", irei incluir em seguida este seu blogue.
Tenho um outro item, equivalente, intitulado "Blogues, sítios e portais portugueses de Banda Desenhada - De A a Z".
E ainda outro item, que talvez lhe interesse, dedicado ao tema "Língua portuguesa em mau estado na Banda Desenhada, no "Cartoon", nos fanzines e na Internet".
Abraço e saudações bedéfilas, bloguísticas e linguísticas.

Ismael Fancito. disse...

É você o primeiro leitor que me corrige, o melhor leitor. Graças, graças, graças... Desde hoje escreverei sempre HQ/BD ou [banda desenhada] <-> [quadrinhos].
Conheço seu blog e o leio várias vezes à semana. Nele descobrim Banda desenhada na televisão, Fernando Pessoa na Banda Desenhada e muitos outros blogs.