Assim devia ser a viagem?
Quero servir-me deste blog para aprender português e divertir-me enquanto recordo alguns velhos quadrinhos espanhois (algum atual). Seguramente logo de mil anos eu rirei com todos os absurdos gramaticais e erros ortográficos... "Terei um montão de post por corrigir!"
Perdoem os erros gramaticais, qualquer indecisão ortográfica, e assinalem essas faltas se dispusserem de tempo, obrigado!

sábado, 20 de dezembro de 2008

Guerra civil espanhola: Sordo.

Titulo: Sordo.
Roteiro:David Muñoz.
Desenhos: Rayco Pulido.
Editorial: Edicions de Ponent, coleção SolySombra.
Data de publicação: 2008.
[Capa branda, 69 páginas, preto e branco, 19x25. David Muñoz é também roteirista de cinema (A Espinha do Diabo).]

Uma nova BD/HQ relacionada com a Guerra Civil Espanhola: Anselmo é um dos fugidos que se converteram em guerrilheiros antifranquistas depois da derrota do bando republicano. Membro de um pequeno grupo que ainda crêe possível uma intervenção internacional em Espanha desrespeitando à ditadura enquanto ajudados pelas leis de solidariedade próprias dos habitantes do meio rural. Ainda que ele não pensa igual, pois Anselmo, quem estudava para converter-se em maestro de escola quando começou a guerra, não crê verdadeiras as notícias de seu colega Roberto.
O grupo de guerrilheiros morrerá acidentalmente quando explode a dinamite que estaban a manipular durante uma sabotagem, Roberto é capturado pelos soldados franquistas e Anselmo regressa só aos montes. Surdo. Só e surdo sobrevive,
mas ele é incapaz de obter alimento.
Esta história é bem mais angustiante que suas sinopses. Ao destruir-se o grupo, Anselmo perde sua condição de guerrilheiro convertendo-se num troféu de caça, um bandido. Desnutrido, isolado, surdo e abandonado, o protagonista revela sua verdadeira condição de vítima da repressão franquista. Perde toda relação com a consciência e a organização política que representava Roberto, só pensa em fugir de Espanha enquanto se anunciam as invasões guerrilleras do vale de Arán através da fronteira com França. Mas Anselmo e Roberto voltarão a estar juntos, quiçá como metáfora do fracasso do Partido Comunista Espanhol para erigir-se em vanguarda dessa luta. Assim, na figura do urso poderíamos imaginar uma representação do politburó ou a Komintern e a indiferença dos poderes soviéticos na luta dos maquis.
Sem referências cronológicas nem um afan realista extremado, Sordo reflete a vida dos guerrilheiros antifranquistas e sua dramática condição histórica: seres de fronteira, esquecidos fantasmas. Uma história em quadrinhos/ banda desenhada quase sem diálogos ou textos na que seu principal protagonista mal se comunica.
O melhor, não se trata de um simples retrato pois, ainda que os detalhes sejam fiéis à realidade, por exemplo, uma mulher vertebra a relação entre Anselmo e Roberto como fizeram as mulheres em aquela luta política, todos os elementos possuem uma dupla natureza.

- Link Sordo (blog de David Muñoz)--> ASÍ (No) SE HIZO
- Link Fernando Ribeiro--> Cambedo Maquis
- Link--> Guerra Civil de Espanha 1936-39 "Muitos portugueses – na sua maioria exilados – lutaram de armas na mão na defesa de Madrid e em muitas outras batalhas da Guerra Civil de Espanha. Também o governo de Salazar organizou e enviou para Espanha milhares de combatentes, os “Viriatos”, além de apoio logístico e diplomático."
- Exposição em Salamanca (Espanha)--> Los TBOs de la Guerra Civil. Niños y propaganda, 1936-1939
- Link, artigo do pesquisador de quadrinhos/bandas desenhadas Antoni Guiral--> Exilio de la memoria histórica

"Pra tirar ums risos Wolverine na Guerra civil espanhola!"

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