Assim devia ser a viagem?
Quero servir-me deste blog para aprender português e divertir-me enquanto recordo alguns velhos quadrinhos espanhois (algum atual). Seguramente logo de mil anos eu rirei com todos os absurdos gramaticais e erros ortográficos... "Terei um montão de post por corrigir!"
Perdoem os erros gramaticais, qualquer indecisão ortográfica, e assinalem essas faltas se dispusserem de tempo, obrigado!

terça-feira, 8 de abril de 2008

Uma historieta numa revista política.


Título: Huracan en Felicia.
Roteiro: Víctor Mora.
Desenhos: Alfonso Font.
Prólogo: Armonía Rodríguez.
Editorial: Ediciones de la Torre, coleção Papel Vivo (nº 15).
Data de publicação: maio de 1980.

[
Álbum 22x30, capa branda, 48 páginas, preto e branco. Caricaturas dos autores por Adolfo Usero, mais dois breves notas biográficas. Uma nota na última página assinala que ajudou a terminar a obra o desenhista Carlos Giménez.]


Tequila Bang foi uma história em quadrinhos criada por Víctor Mora e Alfonso Font para a revista La Calle, duas páginas semanais. Uma revista semanal que abordava qualquer tema da atualidade, especialmente sobre política, desde a esfera esquerdista própria de seus empregados e colaboradores. Um ponto especialmente meritório. Não só porque durante a época da sua publicação (1978-1982) fossem ainda de recente aplicação algumas importantes leis sobre a suspensão e seqüestro de publicações ou a legalização do PCE (Partido Comunista Español), senão devido a sua beligerancia contra a aceitação das consignas sugeridas desde os órgãos de poder a respeito da necessidade duma absoluta neutralidade por parte dos meios de comunicação nacionais no processo de democratização. Uma atitude que lhes impediu manter uns rendimentos publicitários conformes com sua difusão.
Na fim, a protagonista desta HQ não é alheia à ideologia esquerdista da revista na que se publicou originalmente como também não o são seus próprios criadores. Ainda que este aspecto se faz bem mais evidente na segunda de suas aventuras, Tequila Bang contra el Club Tenax (álbum ao que proximamente dedicarei seu próprio resumo).
Ao respecto desta edição da coleção Papel Vivo, e ante a impossibilidade de ler novamente algum exemplar de La Calle, parece-me relevante incluir a nota editorial impressa na contracapa deste álbum, mostra da profissionalidade dos seus editores:

Nota editorial
A presente edição do primeiro episódio de Tequila Bang, o mesmo que a do segundo (Papel Vivo, nº 11), reproduz integralmente as lâminas originais -incluindo as cabeceiras- tal e como apareceram em seu dia na Revista La Calle, respeitando assim todo o trabalho de roteirista e desenhistas, ainda que naturalmente com o formato e características da nossa coleção.

Huracan em Felicia é uma história realmente singela onde as funções das personagens e os diálogos arruinariam-se nos mesmos espaços comuns a tantos outros seriados de aventuras se não fora pelo tom de humor característico dos quadrinhos de Víctor Mora. Um roteirista que conseguiu escrever histórias em quadrinhos juvenis e inclusive histórias bélicas narradas desde uma visão adulta e sempre crítica.
A protagonista, Tequila Bang, uma mulher de vinte e quatro anos que trabalha como famosa modelo em Inglaterrra é, em realidade, a afilhada do lama supremo do Tibet. O líder dos monges guerreiros do vale do loto (budistas-leninistas) que adotaram a Tequila quando não era mais do que uma menina à que adestraram física e intelectualmente com o fim de defender aos oprimidos, a justiça e a liberdade.
Não se arrenegue mais o leitor actual, pois
ainda hoje esta HQ resulta entretida, e os seus personagems não se assemelham em excesso aos exagerados ideais dos filmes de Hollywood.
A ação transcorre em Felicia, um pequeno país de ficção na América do sul, justo depois dum terrível furacão (não se assustem este recurso contínua sendo um dos preferidos dos roteiristas e editores da Marvel e DC) . Ali, Tequila terá que ajudar a um jornalista norte-americano a reunir provas que demonstrem como os líderes do governo do ditador Ramirez comercian cos recursos humanitários estrangeiros recibindo grandes quantidades de dinheiro em contas suíças. Partidos democráticos ocultos na clandestinidade, um povo indígena submetido a uma cruel perseguição, interesses políticos internacionais, agentes governamentais que se sabem úteis para qualquer outro novo governo.... Uma história semelhante aos comics-books de Archie Godwin e John Byrne para o superherói Wolwerine (nº 17-23) .
Não são as melhores histórias em quadrinhos de Mora e Font mas possuem pequenos detalhes que fazem dela uma obra interessante. Como essa máscara grega acompanhada do lema 'Liberdade de expressão' que, segundo as datas das assinaturas do 3-78 da primeira página ao 25-8-78 da última, quiçá possua uma referência real na Espanha daqueles tempos.
Só encontrei um enlace sobre La Calle, não oferece dados concretos sobre o envolvimento dos quadrinhistas nese medio mas sim um bom resumo da história da própria revista: clique aqui.


Título: Contra el Club Tenax.
Roteiro: Víctor Mora.
Desenhos: Taller Premiá 79 (Alfonso Font, Adolfo Usero e Carlos Giménez).
Editorial: Ediciones de la Torre, coleção Papel Vivo (nº 11).
Data de publicação: novembro de 1979.

[Álbum com capa branda (22x30), 48 páginas, preto e branco. Prólogo do escritor Francisco Candel. Um texto de Víctor Mora, e caricaturas dos autores realiçadas por Adolfo Usero.]

Segunda é última das aventuras de Tequila Bang, número 11 da coleção Papel Vivo. Sua segunda aventura mas o primeiro álbum da heroína esquerdista publicado pela Ediciones de la Torre. Não desista, Huracan en Felicia era a primeira história de Tequila Bang, mas o álbum número 15 desta coleção, porque já existiu uma edição anterior dentro da descartada linha de álbums de histórias em quadrinhos desenvolvida na revista La Calle.
Contra el club Tenax é uma HQ bem mais interessante do que a exótica aventura democrática em Felicia. Com certeza, sua protagonista vai resistir à passagem pela Espanha de 1978 durante a transição da ditadura para o régime democrático. Mas antes, eu não posso deixar sem linkar um 'apontamento' sobre a autoria colétiva deste tebeo [link]--> Premiá y Grupo de la Floresta, los estudios Dados difíceis de serem compilados, aspectos importantes sobre este tópico da autoría coletiva.
O leitor atento já olhou para a ilustração da capa? Tequila co punho bem así... Quiçá não seja a melhor ficção criada por Víctor Mora e os três desenhistas, certamente esta BD nada mais é do que um título menor em seus currículos, e no entanto (eu crio) parece muito atraente para um leitor interessado na história espanhola. Os autores viviam mentres desenhabam, e histórias em quadrinhos juvenis tambén tenhem ideologia.



Sob o singelo argumento dum coletivo secreto que tenta perjudicar a entrada em vigor duma constitução espanhola, ao ponto de urdir um plano terrorista para atentar contra um representante do governo, os autores mostram a extensão internacional do territorio político espanhol naquele momento. Ao menos a sua expêriencia, sem maniqueismos, mostrando um contorno dramâtico de funcionários policiais e políticos progresistas e ultra-dereitistas. E grupos esquerdistas que, como os ultra-dereitistas, são manipulados por jogadores ocultos.
Um conjunto significativo de persoeiros foram retratados neste tebeo. O leitor atual achou interessante reconhecer suas faces. Ainda há outras personagens difíceis de se reconhecer, difíceis até mesmo para leitores espanhóis, na quinta vinheta da imagem acima aparece Alberto Royuelo (membro do grupo ultra-dereitista Falange e pistoleiro do ditador Franco) e seu saúdo romano adotado pelos movimentos fascistas.
Os autores viveram a Transição, existem outras histórias em quadrinhos que, talvez melhor, mostraram a brutalidades da ultra-dereita e a instrumentalização da violência na rua , mas eu não conheço outra aventura juvenil entre esses tebeos. -Os quatro autores também aparecem retratados junto a Tequila Bang numa manifestação pela democrácia na derradeira vinheta desta obra-



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