Assim devia ser a viagem?
Quero servir-me deste blog para aprender português e divertir-me enquanto recordo alguns velhos quadrinhos espanhois (algum atual). Seguramente logo de mil anos eu rirei com todos os absurdos gramaticais e erros ortográficos... "Terei um montão de post por corrigir!"
Perdoem os erros gramaticais, qualquer indecisão ortográfica, e assinalem essas faltas se dispusserem de tempo, obrigado!

sábado, 29 de março de 2008

Tempestade de hóstias.

Título: Guerreros urbanos. Tormenta de hostias.
Desenho e roteiro: Pere Pérez.
Prólogo: dois comentários a modo de apresentação dos desenhistas, amigos e ocasionais colaboradores do autor, Enrique Vegas e Kenny Ruiz.
Editorial: Dolmen Editorial, coleção Siurell.
Data de publicação: 2007.
[Álbum 17x24, 48 páginas e capa branda, branco e preto.]

O título desta história em quadrinhos é muito descritiva. Não terá leitor que o confunda com a história dums meninos que brincan fazendo voar cometas construídas com as supostas cartas de amor que seus pais lhes escreveriam se não tivessem morrido uma manhã qualquer enquanto olhavam seu reflexo num espelho. Pois não é um slice of life -Pere Pérez não dispõe, seguramente, de tempo bastante como para se demorar arrancando pequenas laminas de sua própria pele, ou a dum vizinho, com a que explicar a razoavel santidade do tempo esvaido-.
Certamente, tanto o estilo dos desenho como o motivo da portada também não pertencem ao underground social e a sua capa remetenos a cartazes cinematográficos e comics-books de ação. Hoje os adeptos aos quadrinhos de gênero estarão muitíssimo felizes de ler a este autor, que logo de criar HQs eróticas para revistas de histórias em quadrinhos e participar em projetos coletivos como Buldamn City conseguiu publicar na coleção Siurell. Uma linha editorial de Dolmen Editorial, dedicada, sobretudo, aos quadrinhos de gênero e humor, que se distingue pela publicação de autores espanhóis.
Pere Pérez foi nominado na categoria de autor revelação para o Salón del cómic de Barcelona deste ano, e até parece que Guerreros urbanos está ser um sucesso de vendas. Assim, terá uma continuação titulada 'A senda del Galleto', bem mais centrada nas artes marciais do que esta primeira aventura. Não em vão son os dois maiores interesses do desenhista, a música rock e as artes marciais, os elementos fundamentais da caracterização dos seus personagens. O Yoni, o Kingo e o Tazas são três jovens amigos que compartilham a sua aficción a Metallica e se enfadam com facilidade com qualquer que crítique esta música (o próprio autor confessou que o título 'Tormenta de hóstias' é uma das canções de Gigatrón). Uma vida singela na periferia duma grande cidade com todos os elementos que lhe são comuns ao leitor espanhol, desde o espaço urbano, as roupas e os videogames, até a linguagem dos personagens: insultos e modos grosseiros que, sem terse proposto representar uma fronteira entre fala e língua, consegue manter em todo momento um estilo coloquial neutro que será facilmente identificado por qualquer falante de língua espanhola. Tudo isso utilizando vocábulos e metáforas que conseguem o tom de humor adequado para equilibrar a violência necessária no seu desenvolvimento argumental. Cujo elemento detonante será terse envolvidos os protagonistas na morte acidental dum distribuidor de drogas.
Eu creio que seria interessante comparar a narração empregada em Guerreiros Urbanos por Pére Perez com seu trabalho no mercado do comic-book USA a fim de comprovar as diferenças fundamentais entre um e outro. Pois não vejo possível que roteiros alheios mantenhan um dos rasgos mais sobressalentes desta HQ, hoje infreqüente nos comic-books: as elipsis entre vinhetas ou páginas nas cenas de ação.
Não duvido que desfrutaria muitíssimo lendo Dragonlance (link) ou Savage tales (link) e que este desenhista poderia surpreender-me com montages fragmentados de vinhetas unidas como às da morte do vendedor de drogas. Tambén as criaturas monstruosas são as minhas favoritas, mais espero uma nova história de Guerreros urbanos.

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