Assim devia ser a viagem?
Quero servir-me deste blog para aprender português e divertir-me enquanto recordo alguns velhos quadrinhos espanhois (algum atual). Seguramente logo de mil anos eu rirei com todos os absurdos gramaticais e erros ortográficos... "Terei um montão de post por corrigir!"
Perdoem os erros gramaticais, qualquer indecisão ortográfica, e assinalem essas faltas se dispusserem de tempo, obrigado!

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

Crónicas de la IIIª Guerra Mundial.

Título: Crónicas de la IIIª Guerra Mundial.
Desenho e roteiro:
Florenci Clavé.
Introdução: Iva.
Editorial: Ediciones de la Torre, coleção Papel Vivo (nº 28).
Data de publicação: junho de 1982.
[Álbum 22X32, capa branda, branco e preto e 48 Paginas.]


A coleção Papel Vivo (Ediciones de la Torre) publicou desde finais dos anos setenta até princípios de 1990 muitos dos mais reconhecidos autores dos quadrinhos espanhois desa época: Carlos Giménez, Alfonso Font, Luis García, Boix, Usero, Ventura y Nieto, Clavé, Tha e T. P. Bigart... De fato, algumas das suas obras só se podem ler nessas edições. Ainda que também acontece que, lentamente mas com grande esmero, a filial espanhola da Glenat vem reeditando a obra destes autores e, inclusive, publicando os seus novos títulos.

Graças a esse labor de recuperação eu por fim puidem ler El cartero siempre llama dos veces (adaptação da novela homônima de James M. Cain) e Corre hombre, corre (tamén adaptación duma novela de Chester Himes) de Florenci Clavé, publicadas na coleção Viñetas Negras. E, não obstante, ao ter desenvolvido este desenhista a maior parte da sua obra em França mal consegui ler, além destas três histórias, um par mais de relatos curtos en diversas revistas de quadrinhos. Por isso considéro-me afortunado de ter lido Crónicas de la IIIª Guerra Mundial, já que devido ao caracter episódico e a ferocidade propia do discurso deste autor a sua reedição parece improvável.
Pode ser que com tempo voltemos a ler Lhes Dossiers du Fantastique ou La Banda de Bonnot (publicado na Espanha dentro da coleção Vilan), já que o pertencer ao género fantástico o primeiro, e a recreação histórica e biográfica do segundo assegura-se o solapamento das convicções ideológicas de Clavé. Um artista que militou politicamente como cartelista e caricaturista no movimento maoista europeu além dos seus desenhos sob o seudónimo de Clajov para Action!, o jornal das barricadas durante o Maio francês.
Com esses antecedentes resulta compreensíveis que a seu regresso a Espanha -depois de ter publicado en Pilote, Circus, Dargaud, Glenat, etc- entrasse a trabalhar no Papus (link), a revista de humor gráfico "Satírica e Neurasténica" contra a que atentou mediante un pacote explosivo (link) o grupo armado de ideologia fascista Triple A (Alianza Apostólica Anticomunista) no 20 de setembro de 1977, provocando uma morte e mais de dez feridos.
E, precisamente, no Papus foi onde apareceram pela primeira vez as histórias que integram o álbum: um total de 39, sem título, narrações independentes e duma única página a maioria delas, exceto as número 10, 20 e 36, desembrulhadas mediante três. Nelas, sempre fora de toda regra moral ou artística, Clavé não persuade senão que tenta, e consegue mostrar, crio eu, as fórmulas e mecanismos invisíveis que conseguiram fazer da guerra a finalidade primordial dum subcojunto dominante que regula em seu próprio benefício cada um dos fatores que moldam o grupo social, mediante o controle das informações e a criação de umas necessidades concretas que infundir no indivíduo.
A indústria da guerra, a hecatombe ecológica, a manipulação informativa, a necessidade de desobediência, os enfermiços processos mentais da autoridade irracional, os intelectuais alienados... Todos estes temas são ferramentas que Clavé utilizou para demonstrar-lhe ao leitor que a guerra permanece porque é útil para a manutenção duma estrutura de dominação hierárquica. E, sobretudo, quando o conflito armado cessa a guerra ainda contínua presente no que tão só supõe uma mudança de intensidade.
Não há poesia, não existe a beleza na guerra. Onde tudo é manipulação e não fica espaço para nenhuma configuração simétrica. Os ambientes destas historietas não são como os que pude ver noutros de seus trabalhos como Link el Chamarilero, Alias Lazaro ou Un Tiempo del Fuhrer, e creio que sempre deveu ser assim este desenhista: capaz de mudar de estilo 'relaxando-se' em linha continua e clara ou contendendo com os contrastes preto e branco.

"A Historieta -os quadrinhos- são um meio de comunicação onde se unem, em difícil síntese a arte da imagem e o imenso poder de representação da palavra. O desenho, a pintura, a narrativa, a linguagem cinematográfica inclusive, conformam um meio de expressão que, ainda que foi utilizado como arte menor para menores, pode ser -já o está sendo- uma linguagem imensa e independente com o que as pessoas nos comuniquemos as experiências e os sentimentos mais complexos."
Papel Vivo. Sociedade e aventura na nona arte.

Esta era a apresentação de cada álbum, sempre a mesma proposta. É lamentável que hoje as grandes editoriais espanholas não tenham sabido realizar nem uma sozinha vez um convite parecido para seus leitores. Pelo menos os artistas dos quadrinhos sim o fizeram e ainda conservam muitos deles as mesmas ou parecidas intenções.


[Florenci Clavé (1936-1998): desenhista espanhol que começou trabalhar em Seleções Ilustradas, a agência de quadrinhos de Josep Toutain, que sortia de histórias a Inglaterra e, anos despois, também aos Estados Unidos. Em l´infantil realizou Lhes aventures do Savi de Vallvidriere, junto a série Ramón de Iva, uma das histórias em quadrinhos que se publicaram em catalão durante a ditadura franquista. Desenhou a maioria da sua obra para França, ainda que uma parte dela publicouse de forma dispersa em álbums e revistas espanholas.]

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Um comentário:

Ismael disse...

umha
uma